
A Receita Federal divulgou nesta quarta-feira (8) que mais de 880 mil contribuintes já tiveram suas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física retidas na malha fina em 2026. Este número representa aproximadamente 11% das mais de 9,1 milhões de declarações já entregues neste ano, proporção superior aos 8% registrados no mesmo período do ano anterior.
A malha fina ocorre quando as informações declaradas pelo contribuinte não correspondem aos dados disponíveis no sistema do Fisco ou aos registros fornecidos por empresas, instituições financeiras, planos de saúde e outras fontes pagadoras. A situação tem sido agravada por erros nos informes de rendimentos enviados pelas empresas, que servem de base para a declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita.
Problemas nos dados empresariais
Muitas empresas enviaram inicialmente informações incorretas ao governo e posteriormente precisaram realizar correções através de declarações retificadoras. Atualmente, a Receita Federal recebe mais de 1,5 milhão de retificações diárias, principalmente de organizações ajustando esses dados. Por essa razão, especialistas recomendam que os contribuintes verifiquem minuciosamente tanto a declaração pré-preenchida quanto os comprovantes oficiais fornecidos pelas fontes pagadoras antes de confirmar o envio.Expectativa de normalização
A Receita Federal projeta redução no número de declarações retidas nas próximas semanas, à medida que as empresas corrigirem seus dados. Quando uma retificadora é processada, o sistema da malha fina refaz as validações e, caso não haja mais divergências, libera automaticamente a declaração. Contudo, esse processo de revalidação pode levar até uma semana, o que significa que contribuintes podem permanecer na malha fina mesmo após as correções empresariais.Se a mensagem de pendência persistir por mais de uma semana após a correção, é necessário verificar se o ajuste foi realizado adequadamente e se as informações na Declaração de IRPF estão efetivamente corretas. A regularização é crucial não apenas para evitar pendências fiscais, mas também para garantir o direito à restituição do Imposto de Renda, que só é liberada após a análise completa do Fisco.
Orientações para contribuintes
Diante deste cenário, a Receita Federal estabeleceu diretrizes específicas para os contribuintes pessoa física:1. Utilizar a declaração pré-preenchida, mas sempre confrontar os dados com os comprovantes oficiais de rendimentos fornecidos pelas empresas e com os gastos efetivamente realizados com despesas médicas e educacionais.
2. Se os valores declarados estiverem corretos e o sistema ainda indicar divergências, não há necessidade imediata de apresentar declaração retificadora. As correções realizadas pelas fontes pagadoras podem resolver automaticamente as pendências ao longo do período de declaração.
3. Caso as pendências persistam e o contribuinte possua todos os comprovantes, não haverá prejuízo, pois a situação será resolvida mediante apresentação de documentos, se solicitados pela Receita.
Contexto do IR 2026
O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 iniciou em 23 de março e se estende até 29 de maio. A Receita Federal espera receber aproximadamente 44 milhões de declarações, cerca de 450 mil a mais que em 2025. Até a manhã desta quarta-feira (8), cerca de 20% dessas declarações já haviam sido apresentadas, sendo que 61% utilizaram a declaração pré-preenchida, 11% caíram na malha fina e 77,4% garantiram o direito à restituição.Contribuintes obrigados a declarar que não cumprirem o prazo estabelecido estarão sujeitos a multas que começam em R$ 165,74 e podem alcançar até 20% do valor do imposto devido. A regularização oportuna e a atenção aos detalhes das informações declaradas são fundamentais para evitar complicações fiscais e garantir o processamento adequado da declaração.
Fonte: Investidor 10