
As ações da JHSF (JHSF3), empresa brasileira especializada no segmento de luxo, registraram expressiva valorização de 8,15% nesta segunda-feira (6), encerrando o pregão cotadas a R$ 10,75. No acumulado anual, os papéis já acumulam ganhos de 31%, impulsionados por recomendações otimistas do mercado.
A XP Investimentos mantém sua recomendação de compra para a companhia, estabelecendo um preço-alvo de R$ 14, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 35% em relação ao patamar atual. A análise da corretora considera os recentes desenvolvimentos estratégicos da empresa e seus resultados financeiros.
Transição para modelo de renda recorrente
Segundo a XP, a JHSF está em processo de transição acelerada para um modelo de negócios baseado em renda recorrente, reduzindo gradualmente sua dependência do desenvolvimento imobiliário tradicional. A empresa tem investido intensamente para consolidar-se como uma plataforma de receitas previsíveis e sustentáveis.
"A companhia está ampliando significativamente a contribuição dos ativos geradores de receita recorrente, o que melhora a visibilidade de resultados e a previsibilidade do fluxo de caixa", explicou a corretora em relatório recente.
Expansão internacional da marca Fasano
A unidade de Hotéis e Gastronomia representa um dos pilares centrais da estratégia da JHSF. A marca Fasano planeja expansão global com abertura de unidades em oito cidades nos próximos cinco anos, incluindo destinos como Sardenha (2026), Londres, Miami, Punta del Este e Porto Feliz (2027), São Paulo e Cascais (2028), e Milão (2030).
Esta estratégia de internacionalização proporciona exposição a moedas fortes como libra esterlina, dólar americano e euro, funcionando como um hedge natural contra volatilidades do mercado brasileiro. Além disso, a iniciativa amplia o mercado potencial da empresa, alcançando famílias de alta renda em diferentes regiões do mundo.
Crescimento do segmento de shoppings
O segmento de shopping centers também apresenta expansão significativa, com aumento da Área Bruta Locável (ABL) do Catarina Outlet e do Shopping Cidade Jardim. A empresa prepara ainda a inauguração do Shops Faria Lima, localizado no principal centro financeiro de São Paulo, prevista para até o final de 2027.
A XP projeta que, com a maturação desses investimentos, aproximadamente 71% da receita da JHSF deverá originar-se de fontes recorrentes até 2030, representando uma transformação estrutural no perfil de receitas da companhia.
Potencial do segmento aeroportuário
A unidade de aeroportos emerge como um dos ativos mais promissores da JHSF. A empresa está expandindo suas operações para atingir 19 hangares, com capacidade potencial de chegar a 24 unidades no médio prazo. As receitas deste segmento derivam do aluguel de hangares, serviços de FBO (Fixed Base Operator), venda de combustível e uso de pista.
A corretora identifica ainda oportunidades para a construção de um novo terminal voltado a voos comerciais, considerando as limitações de capacidade do Aeroporto de Congonhas e a oferta restrita de voos próximos ao centro de São Paulo. "Guarulhos tende a concentrar-se em cargas e voos internacionais", analisou a XP, destacando o potencial estrutural deste ativo.
Riscos e desafios
Apesar do cenário otimista, a XP enumera riscos relevantes para a tese de investimento, incluindo possíveis atrasos em inaugurações de projetos, investimentos (capex) acima do esperado, vendas mais lentas de estoques imobiliários e incertezas regulatórias no segmento de aviação.
A análise da corretora sugere que a JHSF está posicionada para capturar oportunidades em múltiplas frentes, combinando expansão internacional com fortalecimento de operações domésticas, em um movimento estratégico que busca transformar o perfil de receitas da empresa.
Fonte: Investidor 10