IBC-Br registra quinta alta consecutiva com crescimento de 0,60% em fevereiro, apontando resiliência da economia brasileira

Esta foi a quinta alta mensal consecutiva do índice, segundo dados revisados.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou crescimento de 0,60% em fevereiro de 2025, marcando a quinta expansão mensal consecutiva da economia brasileira. Apesar do resultado positivo, o ritmo de crescimento desacelerou em relação a janeiro, quando o indicador havia avançado 0,86%, segundo dados revisados com ajuste sazonal.

A análise setorial revela que o desempenho de fevereiro foi impulsionado principalmente pelo segmento industrial, que registrou crescimento de 1,2%. O setor de serviços apresentou expansão de 0,3%, enquanto a agropecuária avançou 0,2%. Na comparação com fevereiro de 2024, o IBC-Br registrou contração de 0,3%, indicando desaceleração no ritmo anual.

Desempenho acumulado e metodologia do indicador



No acumulado de 2025 até fevereiro, o indicador apresenta crescimento de 0,4%, enquanto nos últimos doze meses até fevereiro a expansão atinge 1,9%. Esses cálculos são realizados sem ajuste sazonal, diferentemente das comparações mensais.

Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br possui metodologia distinta da adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice do Banco Central incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, mas não contempla o lado da demanda, presente no cálculo oficial do PIB. O indicador serve como uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central para auxiliar na definição da taxa básica de juros da economia brasileira.

Análise de especialistas sobre o desempenho econômico



Segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IBC-Br apresentou desempenho superior às expectativas do mercado na comparação mensal. "É o quinto mês seguido de crescimento, sinal de resiliência da atividade, mesmo com juros elevados", afirmou o especialista. Para Spyer, o resultado indica que a economia brasileira mantém tração, especialmente impulsionada pelo setor industrial.

No entanto, o economista ressalta que na comparação anual o indicador apresentou desempenho mais fraco do que o projetado. "Isso tem muito a ver com fatores de calendário, como dois dias úteis a menos, e com a própria estratégia do Banco Central de esfriar a economia para controlar a inflação", explicou. Na avaliação de Spyer, os dados reforçam um cenário de atividade econômica sólida, porém sem pressão explosiva sobre a inflação, mantendo a discussão sobre cortes na taxa de juros em aberto.

Sara Paixão, analista de macroeconomia, destaca que o IBC-Br registrou queda de 0,3% na comparação anual, contrariando a expectativa do mercado que projetava alta de 0,2%. Segundo a analista, o recuo foi observado em todos os segmentos da economia, relacionado à desaceleração gradual da atividade econômica brasileira que vinha crescendo em ritmo constante acima do potencial ao longo do primeiro semestre de 2024.

"Para esse primeiro semestre, espera-se que haja crescimento na atividade econômica brasileira, sustentado principalmente pelas medidas já divulgadas pelo Governo de apoio ao consumo. Porém, com desaceleração quando comparado ao crescimento do ano passado. Para o COPOM, a expectativa continua em um corte de 25 bps na próxima reunião", avaliou Paixão.

Fonte: Investidor 10
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