Oncoclínicas (ONCO3) recebe empréstimo emergencial de até R$ 150 milhões da Mak Capital em troca de assento no Conselho

Companhia vai receber até R$ 150 milhões para comprar remédios e normalizar atendimentos.

Em meio a uma grave crise financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) firmou um acordo de empréstimo emergencial com a gestora americana Mak Capital, que injetará entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões na empresa. Os recursos serão destinados prioritariamente à aquisição de medicamentos junto à OncoProd, visando normalizar o atendimento aos pacientes e preservar a geração de receitas da rede de tratamento oncológico.

A operação ocorre em um momento crítico para a companhia, que encerrou 2023 com um prejuízo de R$ 3,65 bilhões e uma dívida financeira líquida de R$ 2,9 bilhões. Em comunicados recentes, a própria administração admitiu dificuldades para honrar compromissos de curto prazo e mencionou "incertezas significativas sobre a continuidade operacional", chegando a buscar proteção judicial contra o vencimento antecipado de obrigações financeiras.

Condições do acordo e mudanças na governança


A Mak Capital, que já detém 6,31% do capital da Oncoclínicas, havia anteriormente oferecido um aporte de até R$ 500 milhões, condicionado à eleição de um novo Conselho de Administração. O acordo atual representa uma solução intermediária, com mudanças mais graduais na estrutura de governança.

Como parte das condições, Bruno Lemos Ferrari, fundador e ex-CEO da empresa, renunciou aos cargos de membro e vice-presidente do Conselho. Seu lugar será ocupado por Mateus Affonso Bandeira, indicado pela Mak Capital e que também integra os conselhos de Vibra (VBBR3), Sabesp (SBSP3), Intelbras (INTB3) e CVC (CVCB3), sendo presidente deste último.

Paralelamente, Carlos Gil Ferreira, diretor-presidente da Oncoclínicas, assumiu uma vaga no board, preenchida após a renúncia de outro conselheiro na semana anterior. Os mandatos dos novos integrantes se estenderão até a assembleia geral de acionistas marcada para 30 de abril.

Garantias e contexto estratégico


Para assegurar o empréstimo, a Oncoclínicas negociará com planos de saúde, hospitais e seguradoras parceiras a utilização de recebíveis de sua rede credenciada como garantia. Esta estrutura busca oferecer segurança à Mak Capital enquanto a empresa busca estabilizar suas operações.

A decisão de aceitar a proposta da gestora americana ocorreu após o colapso das negociações para a criação de uma nova empresa em parceria com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3). Aquele acordo previa um aporte de até R$ 1 bilhão e a transferência das unidades de tratamento oncológico para uma entidade gerida pelas duas empresas, mas as partes anunciaram o fim das tratativas sem detalhar os motivos do impasse.

Com o fracasso da alternativa anterior, a Oncoclínicas voltou sua atenção para propostas que pudessem endereçar sua precária situação econômico-financeira, culminando no acordo emergencial com a Mak Capital. A operação representa uma tentativa de garantir a continuidade dos serviços enquanto a empresa busca soluções estruturais para seus desafios financeiros.

Fonte: Investidor 10
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