
As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram queda expressiva nesta terça-feira (14), recuando 3,70% para R$ 24,44, após relatórios de duas das principais corretoras do mercado projetarem um desempenço significativamente mais fraco para o primeiro trimestre de 2026.
O movimento contrasta com a valorização recente dos papéis, que haviam alcançado patamares próximos a R$ 27 na expectativa de continuidade da recuperação observada no quarto trimestre de 2025.
Projeções pessimistas do Itaú BBA
O Itaú BBA estima que o Banco do Brasil possa registrar lucro líquido de apenas R$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda de 36% em relação ao período anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) projetado é de 7,5%, significativamente abaixo dos 12,1% registrados no trimestre anterior.
Segundo a análise do banco, enquanto a expansão da carteira de crédito mostra desaceleração, as despesas com provisões devem permanecer elevadas em aproximadamente R$ 17,4 bilhões. Essa pressão é atribuída à deterioração dos estágios de crédito em diferentes segmentos da carteira.
A estimativa anual do Itaú BBA para 2026 situa-se em R$ 21 bilhões, abaixo até mesmo do piso do guidance oficial do Banco do Brasil, que varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.
BTG alerta para risco de revisão nas estimativas
O BTG Pactual também projeta um trimestre desafiador, com lucro líquido provavelmente entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões, representando uma variação de 15% a 30% abaixo do consenso de mercado. A instituição ressalta que o resultado positivo do quarto trimestre de 2025, de R$ 5,7 bilhões, foi influenciado por efeitos tributários extraordinários.
"Uma comparação com um trimestre mais fraco não deve ser surpresa na ausência de evidências claras de melhorias operacionais", afirmaram os analistas do BTG.
Apesar dessa perspectiva, o banco avalia que a magnitude da queda sequencial nos lucros e no ROE pode surpreender negativamente o mercado. O BTG destaca ainda que as ações do Banco do Brasil subiram aproximadamente 10% no último mês e cerca de 17% no acumulado do ano, superando o desempenho de concorrentes como o Bradesco (BBDC4).
Agronegócio como principal vetor de risco
O segmento de agronegócio emerge como o principal fator de preocupação nas projeções. A expectativa inicial era de recuperação a partir dos reembolsos da última colheita, após o banco ter apertado as exigências para concessão de empréstimos a agricultores.
No entanto, o primeiro trimestre já teria ficado aquém das expectativas. Com a alta dos preços do diesel e dos fertilizantes em decorrência da guerra no Irã, o BTG identifica "risco crescente de que o segundo trimestre também possa decepcionar".
"Embora anteriormente esperássemos alguma melhora no lucro antes de impostos, agora vemos uma probabilidade maior de queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior", destacou o banco.
Dia do Investidor como termômetro crucial
O BTG aponta o Dia do Investidor da próxima semana como evento fundamental para avaliar a trajetória do portfólio do agronegócio, as tendências de provisionamento e o momento de uma possível recuperação. "O momento é crucial, visto que nos aproximamos do final de abril, um período crítico para avaliar os primeiros pagamentos da última safra", explicou a instituição.
Atualmente, o BTG avalia que as ações são negociadas a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial, "com um ROE que pode ter dificuldades para atingir 10% em 2026 e um rendimento de dividendos na casa de um dígito médio, que não parece particularmente atrativo em relação aos padrões históricos".
Caso o mercado reduza as estimativas de lucro anual em aproximadamente 20%, para R$ 20 bilhões, os papéis passariam a ser negociados a cerca de 7,3 vezes o P/L, com dividend yield ao redor de 4%, níveis que o BTG considera pouco atrativos pelos padrões históricos do banco.
Fonte: Investidor 10