
O presidente norte-americano Donald Trump emitiu um ultimato direto ao governo iraniano neste sábado (4), estabelecendo um prazo de 48 horas para a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz ou a conclusão de um acordo diplomático com Washington.
Em publicação na plataforma Truth Social, o mandatário utilizou linguagem beligerante ao declarar: "Lembram-se de quando dei ao Irã dez dias para FAZER UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ? O tempo está se esgotando – 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles. Glória a DEUS!".
Ampliação da retórica belicista
A ameaça representa uma escalada na postura anterior do presidente, que na véspera havia sugerido a possibilidade de intervenção militar norte-americana para reabrir à força a crucial rota marítima. Em outra publicação, Trump especulou sobre os benefícios econômicos de tal ação: "Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ, EXTRAIR O PETRÓLEO E FAZER UMA FORTUNA. SERIA UMA 'JORRA' PARA O MUNDO???".
Oscilação entre negociação e confronto
A postura do presidente norte-americano tem demonstrado contradições significativas. Durante pronunciamento na última quarta-feira, Trump alternou entre defender negociações diplomáticas para encerrar o conflito e prometer intensificação militar.
"Estamos no caminho certo para concluir todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve. Vamos atacá-los com extrema força. Nas próximas duas ou três semanas, vamos fazê-los regredir à Idade da Pedra, à qual eles pertencem. Enquanto isso, as discussões estão em andamento", declarou o presidente em discurso público.
Paralelamente, Trump teria expressado em conversas privadas frustração com a falta de apoio doméstico para ações mais agressivas, classificando como "lamentável" a ausência de apetite público para uma campanha militar que permitisse o controle dos recursos petrolíferos iranianos.
Impacto econômico global
O fechamento do Estreito de Ormuz pelos ataques iranianos a navios comerciais paralisou uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável pelo transporte de parcela significativa do petróleo global. A interrupção do fluxo através desta hidrovia que conecta o Golfo Pérsico aos oceanos mundiais já provocou aumento substancial nos preços internacionais do petróleo nas últimas semanas.
Embora Trump tenha argumentado que os Estados Unidos não dependem diretamente do petróleo que transita pela região, especialistas destacam que os preços da commodity são determinados globalmente, tornando qualquer interrupção no fornecimento do Oriente Médio um fator de pressão inflacionária sobre os mercados energéticos mundiais.
Fonte: Investidor 10