Raízen convoca credores em Nova York após rejeição de plano de conversão de dívida em ações

A companhia enfrenta resistência de credores à conversão de dívida em ações e deve discutir a reestruturação em reunião nesta semana.

A Raízen (RAIZ4) convocou uma reunião crucial com seus credores para a próxima quarta-feira (8) em Nova York, em meio a impasses significativos sobre o plano de reestruturação financeira da empresa. O encontro ocorre após parte dos credores rejeitar a proposta inicial da companhia de converter aproximadamente 45% de sua dívida em ações, montante que representa cerca de R$ 29 bilhões.

Segundo informações do Valor Econômico, alguns credores chegaram a enviar correspondência formal aos acionistas controladores da empresa, Cosan (CSAN3) e Shell, solicitando ajustes substanciais no modelo de reestruturação apresentado pela administração da Raízen. A resistência dos credores coloca em xeque a estratégia inicial da companhia para lidar com sua crise financeira.

Contexto da crise financeira



As negociações ocorrem em um momento crítico para a Raízen, que em março teve aprovado seu pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas. Este processo representa o maior caso de recuperação extrajudicial já registrado no Brasil, evidenciando a magnitude dos desafios financeiros enfrentados pela empresa.

A deterioração financeira da companhia está diretamente associada ao aumento expressivo de seu endividamento após uma série de aquisições e investimentos em projetos de energia renovável. Adicionalmente, o ambiente de juros elevados tem pressionado significativamente as despesas financeiras da empresa, agravando sua situação fiscal.

Como consequência direta dessa crise, a B3 (B3SA3) retirou as ações da Raízen de importantes índices de referência do mercado brasileiro, incluindo o principal indicador, o Ibovespa. Os papéis da empresa acumulam perdas expressivas em 2026 e têm sido negociados consistentemente abaixo da barreira psicológica de R$ 1 nos últimos pregões, refletindo a desconfiança do mercado em relação às perspectivas da companhia.

Estratégia de desinvestimento em andamento



Paralelamente às negociações de reestruturação, a Raízen avança em sua estratégia de desinvestimento de ativos não essenciais. Recentemente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a venda de uma usina de geração distribuída para o Grupo Gera Energia.

A operação envolve a transferência integral da Bio Polaris Energia, empresa controlada indiretamente pela Raízen que atua no segmento de geração distribuída a biogás. Esta movimentação faz parte do esforço da companhia para gerar caixa e simplificar sua estrutura operacional em meio ao processo de reestruturação.

A reunião marcada para Nova York representa um momento decisivo para o futuro da Raízen, com potencial para definir os rumos da reestruturação financeira e estabelecer as bases para a recuperação sustentável da empresa no médio e longo prazo. O desfecho das negociações com credores será fundamental para determinar a viabilidade do plano de reestruturação e a capacidade da companhia de retomar sua trajetória de crescimento.

Fonte: Investidor 10
Postagem Anterior Próxima Postagem