Presidente do BC justifica sigilo no caso Master como procedimento padrão desde 2018

Galípolo diz que medida segue regra que prevê prazo de oito anos para bancos pequenos.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, compareceu nesta quarta-feira (8) à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado para esclarecer detalhes sobre o processo de liquidação do Banco Master. Durante a audiência pública, o dirigente defendeu o sigilo aplicado ao caso, caracterizando-o como procedimento padrão estabelecido pelo órgão regulador desde 2018.

Galípolo explicou que o sigilo segue regras específicas baseadas no porte das instituições financeiras. "Para bancos maiores, são 10 anos de sigilo. Para bancos menores, são 8 anos. Para mudar isso, precisa haver uma justificativa sólida. Desde 2018, todas as 16 resoluções sobre instituições financeiras seguiram estritamente essa regra", afirmou o presidente do BC.

Processo de liquidação do Master


A decisão de liquidar o Banco Master foi tomada pelo colegiado de diretores do Banco Central após a instituição atingir apenas 10% dos recursos necessários para honrar os Certificados de Depósito Bancário emitidos. A medida também decorreu do não cumprimento de exigências regulatórias ao longo do ano passado.

"No caso do Banco Master, entendemos que é fundamental seguir o rito mais estrito possível, justamente para evitar algum tipo de subsídio e eventuais questionamentos futuros", declarou Galípolo durante sua exposição aos senadores.

Cronologia da crise


O processo sancionador contra o Banco Master teve início em abril de 2025, quando a instituição deixou de cumprir os requisitos de recolhimento compulsório. "A legislação exige que o BC esgote alternativas de mercado antes de liquidar um banco, pois essa é a solução menos custosa para o sistema financeiro", explicou o presidente.

Segundo Galípolo, o esgotamento das possibilidades ocorreu em setembro de 2025, quando o Master já não conseguia realizar captações no mercado. Para manter liquidez, o banco solicitou apoio ao Fundo Garantidor de Créditos, que se comprometeu a pagar pelos CDBs com garantia do fundo conforme seus vencimentos.

Ausência de Campos Neto


A CPI também convocou o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que deixou o cargo em dezembro de 2024, período em que já havia indícios de problemas no Master. Campos Neto não compareceu à audiência após obter decisão do Supremo Tribunal Federal que o desobrigava de se deslocar a Brasília.

Esta foi a terceira convocação que o ex-presidente do BC não atendeu. Atualmente, Campos Neto exerce as funções de vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, cargos assumidos após o término de seu período de quarentena pós-saída do Banco Central.

Encerramento da CPI


A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado deve concluir seus trabalhos até 14 de abril, respeitando o prazo máximo de 90 dias estabelecido em regimento. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB), solicitou prorrogação dos trabalhos, mas teve o pedido negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Diante da decisão, o relatório final com possíveis indiciados deve ser apresentado na próxima terça-feira. Vieira manifestou descontentamento com a não prorrogação, afirmando que a decisão representa "um desserviço para o Brasil". O senador classificou o caso do Banco Master como "o exemplo mais didático de infiltração pela corrupção nos Poderes da República".

Fonte: Investidor 10
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