Petrobras anuncia aumento de 55% no querosene de aviação e pressiona custos das companhias aéreas

Com o reajuste, as companhias aéreas já falam em aumentar os preços das passagens.

A Petrobras implementou um significativo reajuste nos preços do querosene de aviação comercializado para distribuidoras, em meio ao cenário de alta dos preços internacionais do petróleo. O aumento atinge 54,63% e representa uma das maiores variações mensais já registradas para este combustível.

Com a medida, o metro cúbico do querosene de aviação saltou de R$ 3.631,40 para R$ 5.615,50 no terminal internacional de Guarulhos, em São Paulo, equivalente a R$ 5,6155 por litro. Os valores variam regionalmente, atingindo R$ 5.693,90 em Canoas (RS) e R$ 5.379,20 em São Luís (MA), conforme tabela divulgada pela estatal.

Contexto do reajuste histórico


O querosene de aviação é tradicionalmente reajustado mensalmente pela Petrobras, mas o aumento de abril superou amplamente as variações recentes. Em março, o combustível havia subido 9%, enquanto nos dois primeiros meses do ano registrou apenas 0,5% de alta. A escalada reflete diretamente a pressão nos mercados internacionais de petróleo, agravada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Impacto nas companhias aéreas


O reajuste representa um desafio adicional para as empresas do setor aéreo brasileiro, que já enfrentam processos de reestruturação financeira. O combustível responde por mais de 30% dos custos operacionais das companhias, tornando a alta um fator crítico para sua viabilidade econômica.

A Abra, controladora da Gol e Avianca, foi notificada sobre o aumento pela Petrobras. Embora o diretor financeiro do grupo, Manuel Irarrazaval, tenha classificado o reajuste como "moderado" em comparação com as variações internacionais, reconheceu a pressão adicional sobre as operadoras.

Reflexos nas tarifas aéreas


A alta do querosene de aviação tende a ser repassada aos consumidores através do aumento das passagens aéreas. A Abra estima que cada dólar adicional por galão de combustível pode resultar em aproximadamente 10% de elevação nas tarifas.

A Azul já admitiu ter aumentado os preços das passagens em pouco mais de 20% devido ao impacto da guerra nos preços do petróleo. A companhia afirma estar mais preparada para enfrentar esses desafios após concluir seu processo de recuperação judicial.

Medidas governamentais em análise


O governo federal busca alternativas para mitigar os efeitos da guerra no bolso do consumidor brasileiro. Além da subvenção ao diesel já anunciada, está em estudo um pacote de apoio às companhias aéreas que incluiria medidas tributárias, linhas de financiamento e prorrogação de tarifas.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, confirmou que o pacote está sendo finalizado em conjunto com o Ministério da Fazenda, visando oferecer alívio ao setor aéreo diante do aumento confirmado pela Petrobras.

Fonte: Investidor 10
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