Oncoclínicas busca alternativas após frustração com Porto e Fleury: MAK Capital e reestruturação financeira em análise

Com a perda do apoio da Porto e Fleury, a companhia ainda negocia alternativas de capitalização, segundo o JP Morgan.

A Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta um momento decisivo após o término das negociações com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3). O prazo de exclusividade entre as empresas expirou no último domingo (12) sem que um acordo fosse alcançado, frustrando uma potencial operação de capitalização que poderia reforçar a estrutura financeira da companhia.

Analistas do JP Morgan avaliam que a saída dos dois grupos não surpreende diante do cenário atual da empresa. A Oncoclínicas atravessa um período de forte instabilidade, marcado por mudanças significativas na governança corporativa e elevado nível de endividamento, fatores que aumentaram substancialmente o risco de uma operação estratégica.

Novas alternativas em análise



Mesmo com o fim das negociações com Porto e Fleury, a empresa mantém caminhos alternativos para reforçar sua posição financeira. Entre as opções em análise está o interesse da MAK Capital, que avalia realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia, condicionado a ajustes estruturais.

A empresa já confirmou o recebimento de uma proposta não vinculante envolvendo a MAK Capital em conjunto com a Lumina Capital Management, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões. Essa operação poderia ser estruturada por meio da criação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), com a cessão de cerca de R$ 200 milhões em recebíveis.

Segundo análise do JP Morgan, uma eventual capitalização tende a ocorrer diretamente na Oncoclínicas, podendo ser acompanhada por uma reestruturação adicional da dívida. O modelo anteriormente discutido com Porto e Fleury levantava preocupações sobre a preservação de valor para os acionistas minoritários, com riscos de baixa liquidez e alto grau de alavancagem.

Assembleia geral como marco decisivo



O próximo marco relevante será a assembleia geral marcada para 30 de abril, quando os acionistas deverão deliberar sobre propostas em discussão e a nova composição do conselho de administração. A definição da governança corporativa é considerada um passo essencial para dar maior visibilidade ao futuro da companhia e avançar nas negociações com investidores.

A deterioração financeira da Oncoclínicas se reflete nos números recentes. No quarto trimestre de 2025, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, ampliando as perdas em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado somou R$ 238,8 milhões, com queda de 24%, enquanto a recela líquida recuou 12,6%, totalizando R$ 1,37 bilhão.

Desafios estratégicos e operacionais



Parte das dificuldades enfrentadas pela empresa está associada à estratégia adotada após o IPO em 2021. A Oncoclínicas expandiu sua atuação para além das clínicas oncológicas, investindo na aquisição e desenvolvimento de hospitais gerais. No entanto, o movimento não trouxe os resultados esperados, principalmente pela complexidade operacional dessas unidades, o que contribuiu para o aumento da alavancagem financeira e do consumo de caixa.

Com múltiplas frentes de negociação em andamento, o futuro da empresa segue em aberto. A companhia busca uma solução que permita equilibrar sua estrutura financeira e retomar a estabilidade operacional. Para o mercado, o foco permanece na capacidade de execução dessas alternativas e na definição de um novo modelo de governança que possa restaurar a confiança dos investidores.

Fonte: Investidor 10
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