Mercado eleva projeção de inflação para 2026 acima do teto da meta do BC após pressão da guerra

Com a guerra, o mercado elevou a expectativa de inflação deste ano de 4,36% para 4,71%.

As expectativas de inflação para 2026 foram significativamente revisadas para cima pelo mercado financeiro, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. A projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano corrente saltou de 4,36% para 4,71%, conforme revelou a última edição do Boletim Focus.

O teto da meta inflacionária perseguida pela autoridade monetária brasileira é de 4,5%, com centro em 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Após cinco meses de cumprimento deste limite, o cenário foi alterado pelos impactos do conflito no Oriente Médio, que exerceu pressão ascendente sobre os preços internacionais.

Pressões inflacionárias setoriais



A escalada geopolítica tem gerado efeitos diretos sobre commodities energéticas, com o petróleo registrando valorizações significativas. Esta dinâmica já se refletiu em reajustes nos preços dos combustíveis e nas tarifas aéreas no mercado doméstico. Paralelamente, a cadeia de alimentos enfrenta riscos de alta, tanto pelo aumento dos custos de transporte quanto pela pressão sobre os preços de fertilizantes.

O IPCA de março já demonstrou aceleração, registrando variação de 0,88% no período. Analistas projetam que esta tendência de pressão inflacionária deve se manter nos próximos meses, influenciando as expectativas de médio prazo.

Projeções para a taxa Selic



Apesar do cenário inflacionário mais desafiador, as expectativas para a taxa básica de juros permaneceram inalteradas na última pesquisa. O mercado mantém a projeção de que a Selic encerrará 2026 em 12,50%, com trajetória descendente para 10,50% em 2027.

Vale destacar que, antes da eclosão do conflito internacional, as projeções apontavam para cortes mais agressivos da taxa básica, com expectativa de encerramento do ano em 12%. O cenário geopolítico alterou esta perspectiva, reduzindo o espaço para descompressão monetária.

Cenário cambial e crescimento econômico



Em contrapartida às pressões inflacionárias, o mercado revisou para baixo as projeções para o dólar. A moeda americana deve fechar 2026 cotada a R$ 5,37, com leve alta para R$ 5,40 em 2027 e R$ 5,46 em 2028. Há uma semana, estas projeções eram mais elevadas, indicando expectativa de apreciação do real.

As projeções para o crescimento da economia brasileira mantiveram-se estáveis. O Produto Interno Bruto (PIB) deve expandir 1,85% em 2026, com leve desaceleração para 1,80% em 2027, retomando patamar de 2% ao ano a partir de 2028.

Panorama completo das projeções



As expectativas consolidadas pelo mercado financeiro indicam trajetória descendente para a inflação nos próximos anos: 3,91% em 2027, 3,60% em 2028 e estabilização em 3,50% em 2029.

Para a taxa Selic, a projeção aponta continuidade do ciclo de cortes: 10,00% em 2028 e 9,75% em 2029. No câmbio, o dólar deve atingir R$ 5,50 em 2029, enquanto o crescimento econômico mantém-se em patamar moderado de 2% ao ano entre 2028 e 2029.

Fonte: Investidor 10
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