MBRF (MBRF3) registra queda de 10% após venda de fundo árabe Salic; mercado aguarda balanço do primeiro trimestre

Venda de 70 milhões de papéis pressiona cotação e investidores miram balanço do 1T26

As ações da MBRF (MBRF3) enfrentaram forte pressão de venda nesta quarta-feira (15), registrando queda superior a 10% no pregão da B3. A desvalorização retornou os papéis do frigorífico para patamares abaixo de R$ 20, revertendo os ganhos observados na sessão anterior.

O movimento negativo ocorre após a divulgação de que o fundo de investimentos árabe Salic realizou a venda de um bloco significativo de ações da companhia. A transação envolveu mais de 70 milhões de papéis, representando uma movimentação substancial no capital social da empresa.

Estratégia de realocação do fundo árabe


Segundo informações do mercado, os recursos obtidos com a venda serão destinados ao pagamento de uma aquisição realizada em Cingapura há alguns meses. Além disso, parte do capital será utilizada para financiar futuras operações de investimento no território brasileiro.

Apesar da redução de posição, a Salic mantém participação relevante na MBRF, com aproximadamente 10% do capital social da empresa. Ambas as partes envolvidas optaram por não comentar publicamente os detalhes da transação.

Timing estratégico e contexto de mercado


A decisão do fundo árabe ocorre em momento peculiar, apenas um dia após a MBRF anunciar a aprovação da criação da Sadia Halal na Arábia Saudita. A joint venture, estabelecida em parceria com o fundo soberano árabe, conta com aporte inicial de US$ 2 bilhões.

Marcos Molina, chairman da Sadia Halal e CEO da MBRF para a Arábia Saudita, destacou que a iniciativa representa o fortalecimento da parceria com a HPDC, consolidando os ativos da empresa na região e abrindo novas frentes de crescimento no promissor mercado halal.

Na terça-feira (14), as ações da companhia haviam registrado alta de 4%, fechando em R$ 21,80, impulsionadas pelo otimismo em relação ao potencial IPO da nova unidade voltada ao público muçulmano.

Expectativas para o balanço do primeiro trimestre


A atenção do mercado agora se volta para a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, prevista para 14 de maio, conforme calendário oficial da empresa.

Analistas do BTG Pactual projetam que a MBRF poderá registrar crescimento de até 1% na receita anual, alcançando aproximadamente R$ 40 bilhões. Contudo, o EBITDA pode apresentar contração superior a 10%, ficando abaixo da marca de R$ 500 milhões.

Os especialistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla estimam EBITDA de R$ 483 milhões, com margens estáveis na comparação anual, mas com recuo de 120 pontos-base em relação ao quarto trimestre de 2025. A rentabilidade na América do Sul deve enfrentar pressão devido à alta nos preços do gado no Brasil, enquanto as operações na América do Norte devem manter margens próximas ao ponto de equilíbrio.

Fonte: Investidor 10
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