
O principal índice da bolsa brasileira registrou performance histórica nesta quarta-feira (8), fechando com valorização de 2,09% aos 192.201 pontos. Pela primeira vez em sua trajetória, o Ibovespa ultrapassou a marca dos 192 mil pontos, alcançando durante a sessão máxima intradia superior a 193 mil pontos.
O movimento ascendente foi impulsionado pelo anúncio de trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, que sinalizou a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. A notícia geopolítica provocou reação imediata nos mercados globais, com destaque para a queda acentuada das cotações do petróleo.
Contexto geopolítico e fragilidade do acordo
Apesar do impacto positivo nos mercados financeiros, analistas especializados em relações internacionais classificam o cessar-fogo como "frágil". O vice-presidente americano J.D. Vance destacou a instabilidade do acordo, enquanto especialistas do CSIS em Washington apontam que questões estruturais do conflito permanecem sem solução.
A trégua, programada para durar duas semanas, deixou sem resposta pontos fundamentais que podem comprometer sua durabilidade. Enquanto a Casa Branca confirmou negociações presenciais com o Irã no Paquistão para este sábado (11), autoridades iranianas sinalizaram cautela nas conversas.
Ao longo do dia, informações contraditórias surgiram sobre o fechamento do Estreito de Ormuz e ataques israelenses ao Líbano, colocando em risco a estabilidade do acordo. Israel argumenta que o cessar-fogo não incluía operações contra o Hezbollah no território libanês.
Impacto nos mercados globais e commodities
O alívio geopolítico provocou movimentos significativos nos mercados internacionais. O petróleo retornou a patamares abaixo de US$ 100 por barril, revertendo parte da valorização de 50% registrada durante o período de tensão.
Nas bolsas internacionais, os principais índices de Wall Street aceleraram para máximas mensais, enquanto os mercados europeus registraram o melhor desempenho do ano. A ata do Federal Reserve, divulgada no mesmo dia com tom cauteloso devido ao conflito, não foi suficiente para conter o otimismo dos investidores.
No mercado cambial brasileiro, o dólar comercial recuou 1,01%, fechando a R$ 5,10, com mínima intradia de R$ 5,065. Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) apresentaram queda ao longo de toda a curva de juros.
Desempenho setorial e movimentação de ações
O setor bancário liderou as altas no pregão brasileiro, com Bradesco (BBDC4) avançando 5,00%, Banco do Brasil (BBAS3) subindo 4,48%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhando 3,50% e Santander (SANB11) valorizando 2,11%. A B3 (B3SA3), operadora da bolsa, registrou alta de 3,66%.
A Vale (VALE3) apresentou valorização de 2,27%, enquanto a Embraer (EMBJ3) avançou 4,41%. A exceção entre as grandes companhias foi a Petrobras (PETR4), que recuou 3,92% em função da queda dos preços do petróleo.
As petro juniores também sofreram pressão vendedora, com destaque para a Brava Energia (BRAV3), que perdeu 3,38% mesmo após analistas elevarem a recomendação do papel para compra.
Os destaques individuais do pregão foram a Tenda (TEND3), que disparou 11,24% após desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026, e a Hapvida (HAPV3), que avançou 9,06% em reação a mudanças na estrutura societária da companhia.
Perspectivas inflacionárias e próximos indicadores
Analistas do mercado financeiro alertam que os efeitos inflacionários da guerra já foram incorporados à economia. A disparada de 50% no preço do petróleo durante o conflito alterou significativamente a trajetória da inflação e das expectativas para a taxa Selic.
O IPCA de março, com divulgação prevista para esta semana, deve começar a refletir esses impactos, segundo avaliações de especialistas. Apesar do alívio geopolítico recente, as pressões inflacionárias decorrentes do período de tensão permanecem como fator de atenção.
Na quinta-feira (9), os investidores acompanham a leitura final do PIB do quarto trimestre de 2024 dos Estados Unidos e o índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal) de fevereiro, referência central para as decisões do Federal Reserve sobre política monetária.
Fonte: Investidor 10