
O Banco de Brasília (BRB - BSLI4) não está sozinho no adiamento da apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025. Pelo menos outras oito companhias listadas na B3 também descumpriram o prazo regulatório que se encerrou na última terça-feira (31), com três delas diretamente impactadas pela crise do Banco Master.
O BRB enfrenta consequências financeiras significativas pelo atraso, sujeito a multas diárias que podem chegar a R$ 51 mil - sendo R$ 50 mil ao Banco Central e R$ 1 mil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A instituição alega que a auditoria externa contratada para apurar o rombo relacionado ao esquema do Master ainda não foi finalizada, comprometendo a fidedignidade das informações contábeis.
Empresas vinculadas à crise do Master
A Fictor Alimentos (FICT3), que entrou em recuperação judicial após a tentativa fracassada de aquisição do Banco Master pelo Grupo Fictor, também postergou a divulgação de seus resultados. A empresa informou que o processo de recuperação judicial exige análises contábeis adicionais e ajustes específicos, especialmente na avaliação de continuidade operacional, sem estabelecer data definida para a publicação dos dados.A Arandu (ARND3), antiga Reag Investimentos - suspeita de operar fundos ligados ao banco de Daniel Vorcaro - enfrenta desafios similares. Mesmo após mudança de controladores, a companhia necessita de tempo adicional para que auditores independentes concluam o parecer sobre suas demonstrações financeiras.
Já a Oncoclínicas (ONCO3), que mantinha mais de R$ 430 milhões em CDBs do Banco Master quando a instituição foi liquidada, estabeleceu data específica para apresentação dos resultados: 9 de abril. Enquanto busca recuperar os valores perdidos e renegocia sua dívida, a empresa também discute a venda de ativos para Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3), além de avaliar proposta de capitalização do fundo americano Mak Capital.
Companhias em processos de recuperação
Outras cinco empresas listadas na B3 adiaram a apresentação de resultados sem envolvimento aparente com o caso Master, a maioria em processos de recuperação judicial ou extrajudicial.A AgroGalaxy (AGXY3) postergou a divulgação para 30 de abril, alegando necessidade de prazo adicional para assegurar qualidade e conformidade das informações financeiras durante sua reestruturação interna. Na mesma situação, a Sequoia (SEQL3) também prometeu os resultados para 30 de abril, citando complexidade adicional decorrente do processo de reestruturação financeira.
A Ambipar (AMBP3) enfrenta situação ainda mais crítica: nem mesmo o balanço do terceiro trimestre de 2025 foi apresentado, sem data definida para os resultados do quarto trimestre. A empresa, que pediu recuperação judicial em outubro do ano passado, informou que o processo afetou a revisão de suas demonstrações financeiras.
A Teka Tecelagem (TEKA4), após troca de diretoria em junho do ano passado, identificou inconsistências relevantes em balanços anteriores e contratou auditoria independente para revisar suas demonstrações financeiras. Já a Infracommerce (IFCM3) classificou o atraso como "excepcional", necessário para conclusão da auditoria independente.
Consequências regulatórias
Todas as empresas que descumpriram o prazo regulatório estão sujeitas a penalidades da CVM. A norma determina que resultados anuais sejam apresentados até 31 de março, com multa diária de R$ 1 mil para as infratoras. Em casos de atraso superior a 12 meses, as companhias podem ter o registro de companhia aberta suspenso.A CVM já notificou a Ambipar e outras 18 empresas no início de março por atrasos similares, ressaltando que a aplicação de penalidades considera todo o contexto processual e as circunstâncias específicas de cada infração administrativa.
Fonte: Investidor 10