Banco do Brasil e Caixa podem adquirir ativos do BRB em plano de socorro, diz ministro da Fazenda

Durigan negou federalização, mas disse que bancos públicos poderiam comprar ativos do BRB.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou nesta quarta-feira (1º) uma alternativa para o plano de socorro do BRB (BSLI4), envolvendo a participação de instituições financeiras públicas. Em entrevista à GloboNews, o titular da pasta econômica descartou qualquer intervenção federal ou processo de federalização do Banco de Brasília, mas abriu espaço para que bancos estatais adquiram ativos da instituição em crise.

Durigan mencionou especificamente a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil (BBAS3) como potenciais interessados na compra de carteiras ou títulos do BRB. "Caixa e Banco do Brasil podem atuar com o BRB da mesma forma que bancos privados, adquirindo carteiras ou títulos", afirmou o ministro, destacando que o Tesouro Nacional já autorizou a venda de carteiras com garantia da União para outras instituições financeiras.

Responsabilidade do Governo do Distrito Federal



O ministro da Fazenda enfatizou que a responsabilidade primária pela gestão da crise do BRB recai sobre o governo do Distrito Federal. "E se houver risco sistêmico, o próprio Banco Central conduzirá o diálogo com o governo federal", declarou Durigan, estabelecendo limites claros para a atuação federal na questão.

A mudança na liderança do Distrito Federal, com a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para concorrer às eleições e a posse da vice-governadora Celina Leão (PP), adicionou complexidade ao cenário. A nova governadora teria contatado Dario Durigan solicitando auxílio para enfrentar as consequências do envolvimento do BRB com o Banco Master.

Antes de deixar o cargo, Ibaneis Rocha havia solicitado um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e apresentado projeto de lei autorizando o repasse de imóveis públicos para o BRB. Todas essas medidas permanecem em fase de negociação, paralelamente a auditorias que buscam dimensionar o impacto financeiro da crise do Master sobre o banco.

Adiamento do Balanço e Investigação da PF



O Banco de Brasília adiou a divulgação do balanço referente ao quarto trimestre de 2025, sujeitando-se ao pagamento de multa diária que pode alcançar R$ 51 mil. A medida reflete as incertezas decorrentes das negociações em curso e das investigações sobre o caso.

Segundo apurações da Polícia Federal, o BRB teria injetado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas do Banco Master, além de ter tentado adquirir a instituição controlada por Daniel Vorcaro em 2025. O banco não foi o único a descumprir o prazo regulatório para apresentação de resultados - outras empresas listadas na B3 também adiaram a divulgação de seus balanços trimestrais.

Fonte: Investidor 10
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