Operação Fisco Paralelo investiga diretora tributária do Carrefour por suposto envolvimento em esquema de fraude fiscal em São Paulo

Diretora tributária é apontada por ligação com auditor preso em SP; esquema pode ter movimentado R$ 1 bi em propinas.

A diretora de tributos do Carrefour, Luciene Petroni Castro Neves, tornou-se alvo de busca e apreensão do Ministério Público nesta quinta-feira (26), em meio a investigações sobre um amplo esquema de corrupção na Secretaria da Fazenda de São Paulo. A operação, batizada de Fisco Paralelo, investiga suspeitas de fraudes tributárias que podem ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas.

Investigação aponta ligações com auditor preso


Segundo documentos do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), a executiva manteve "intenso contato" com Artur Gomes da Silva Neto, fiscal apontado como chefe da organização criminosa. As investigações revelaram trocas de mensagens de WhatsApp entre julho de 2021 e agosto do ano passado, mostrando que o agente fiscal auxiliava Luciene em pedidos de ressarcimento de ICMS-ST para a rede de supermercados.

Os encontros pessoais entre a diretora e o auditor também foram documentados, com discussões sobre interesses do Carrefour, incluindo a aceleração de procedimentos de reembolso tributário. Apesar das evidências de contato, as investigações ainda não encontraram menções específicas a trocas de valores que envolvessem diretamente a executiva ou a empresa.

Esquema descoberto em 2023


A rede de corrupção foi descoberta em meados do ano passado, quando executivos de grandes corporações foram detidos pela Polícia. Entre os presos estava Sidney Oliveira, proprietário da Ultrafarma, que permaneceu três dias sob custódia antes de ser liberado com tornozeleira eletrônica.

A atual fase do inquérito ampliou o escopo das investigações, citando outras empresas como Kalunga, Oxxo, Casas Bahia, Caoa e Posto Ipiranga. A Casas Bahia já se pronunciou oficialmente, afirmando que "não foi notificada por qualquer autoridade competente sobre investigação envolvendo a Companhia em relação aos fatos narrados pela imprensa".

Posicionamento das empresas e autoridades


O Carrefour, que recentemente deixou de ser listado na B3, não se manifestou até o fechamento das investigações iniciais. A empresa foi contatada pela imprensa, mas não emitiu declarações formais sobre o caso envolvendo sua diretora tributária.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo, por sua vez, emitiu nota reafirmando seu compromisso com a ética e a justiça fiscal. A pasta destacou que colabora ativamente com as investigações e que atualmente conduz 33 procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, com possibilidade de aplicação de sanções que incluem demissões.

A operação Fisco Paralelo representa mais um capítulo no combate à corrupção no sistema tributário paulista, revelando conexões entre agentes públicos e executivos de grandes corporações em um esquema que, segundo estimativas, pode ter desviado recursos significativos dos cofres estaduais.

Fonte: Investidor 10
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