Americanas (AMER3) pede saída da recuperação judicial após três anos e reduz prejuízo no quarto trimestre de 2025

As ações da Americanas (AMER3) registraram valorização superior a 20% nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, impulsionadas pelo pedido formal de encerramento do processo de recuperação judicial e pela divulgação de resultados financeiros mais robustos no quarto trimestre de 2025.
Por volta das 16h45, horário de Brasília, os papéis da varejista acumulavam alta de 15,15%, negociados a R$ 5,93, após atingirem pico de 21,94% durante a sessão. O movimento ocorre três anos após a descoberta de um rombo contábil inicialmente estimado em R$ 25,2 bilhões, considerado um dos maiores casos de fraude corporativa da história do mercado brasileiro.
Processo de saída da recuperação judicial
A empresa protocolou formalmente o pedido de encerramento da recuperação judicial junto à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. A solicitação abrange também as empresas B2W Digital Lux S.À.R.L, JSM Global S.À.R.L e ST Importações Ltda., que integram o conglomerado empresarial.
Em teleconferência com analistas e investidores, o CEO Fernando Soares destacou que a efetivação da saída ainda depende de aprovação judicial, mas representa um marco significativo no processo de reestruturação da companhia.
Três pilares fundamentais para o pedido
A direção executiva apontou três fatores determinantes que viabilizaram o pedido de encerramento da recuperação judicial neste momento. O primeiro deles é o cumprimento integral das obrigações previstas no plano de recuperação aprovado.
O CFO Sebastien Durchon detalhou que os pagamentos a fornecedores foram realizados à vista ainda em 2024, com os parcelamentos restantes programados para serem quitados até 2028. O segundo pilar consiste na execução bem-sucedida do plano de transformação operacional e estratégico, que mantém as lojas físicas como núcleo central do negócio.
O terceiro fator decisivo foi o encerramento do exercício de 2025 com situação financeira positiva, incluindo caixa superior ao montante da dívida, resultado líquido positivo e resultado operacional de R$ 770 milhões.
Desempenho financeiro do quarto trimestre
O Ebitda ajustado do quarto trimestre de 2025 totalizou R$ 276 milhões, representando crescimento de 1,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O prejuízo líquido foi substancialmente reduzido para R$ 44 milhões, demonstrando melhora significativa na eficiência operacional.
A receita líquida, contudo, registrou recuo de 3,8% no período, alcançando R$ 3,69 bilhões. As vendas brutas no conceito de mesmas lojas apresentaram expansão de 7,8% no trimestre, indicando recuperação no desempenho comparável das unidades operacionais.
A empresa encerrou 2025 com 1.470 estabelecimentos comerciais, sendo 906 lojas convencionais e 564 unidades do modelo express, representando redução em relação às 1.587 unidades existentes em 2024. A base de clientes ativos mantém-se em 44 milhões de consumidores, com média mensal de 90 milhões de visitas combinadas entre lojas físicas, site e aplicativo móvel.
Análise de mercado e perspectivas
Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp, avalia positivamente a evolução operacional da companhia, mas ressalta que os resultados refletem principalmente ganhos de eficiência e redução de custos, em vez de crescimento orgânico da receita.
"Observamos uma evolução operacional consistente, especialmente na comparação anual. A Americanas conseguiu reduzir de forma expressiva o prejuízo e retornar à geração de Ebitda positivo, resultado do processo de ajuste, corte de custos, fechamento de lojas menos rentáveis e foco no core físico", afirmou a especialista.
Segundo Sanchez, o pedido de saída da recuperação judicial "tende a ser bem recebido pelo mercado, porque reduz uma camada relevante de risco, melhora a percepção de crédito e abre espaço para a empresa voltar a acessar capital de forma mais estruturada".
A analista alerta, no entanto, que a saída do regime de recuperação judicial não resolve automaticamente os desafios estruturais da companhia, especialmente em um cenário macroeconômico caracterizado por taxas de juros elevadas e pressões competitivas no setor varejista.
Fonte: Investidor 10
Americanas (AMER3) pede saída da recuperação judicial após três anos e reduz prejuízo no quarto trimestre de 2025
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março 26, 2026
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