Banco Central mantém cautela em política monetária após corte da Selic, afirma Galípolo

Em evento realizado nesta quinta-feira (26), o Banco Central apresentou o Relatório de Política Monetária referente ao primeiro trimestre de 2026. O documento foi acompanhado por declarações do presidente Gabriel Galípolo, que abordou a trajetória da inflação e as perspectivas econômicas para o ano em curso.
Galípolo enfatizou a posição estratégica do BC no atual cenário, após a instituição ter realizado uma redução de 0,25% na taxa básica de juros, mesmo diante de um contexto geopolítico conturbado que pode influenciar a dinâmica de preços ao longo do ano. "O conservadorismo adotado pelo Banco Central brasileiro durante 2025 nos proporcionou uma posição mais favorável do que teríamos sem essa postura", afirmou o dirigente.
Prudência nas decisões futuras
O presidente do BC optou por não antecipar as próximas deliberações do Comitê de Política Monetária (Copom), mas destacou que a autarquia monitora atentamente o cenário internacional para fundamentar suas futuras decisões. "Estamos analisando e continuaremos a avaliar a situação até a próxima reunião do Copom. O Banco Central conta com a vantagem de precisar tomar decisões apenas a cada 45 dias", observou Galípolo.
Na última reunião, a autoridade monetária optou por um corte mais moderado do que o esperado pelo mercado, que projetava uma redução de aproximadamente 0,5%. O contexto econômico sofreu transformações significativas entre as reuniões de janeiro e março, principalmente devido ao conflito no Irã, iniciado por Estados Unidos e Israel na primeira semana de março.
Posicionamento estratégico do Brasil
"A posição atual do Banco Central e do Brasil apresenta vantagens decorrentes de sermos exportadores de petróleo e de mantermos uma taxa de juros com caráter contracionista", afirmou o presidente do BC.
O relatório divulgado manteve a expectativa de crescimento de 1,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026. O documento também indica que a probabilidade de a inflação encerrar o ano acima do teto da meta estabelecida é de 30%, atribuindo ao conflito geopolítico a principal pressão para esse resultado desfavorável.
A publicação do relatório ocorreu poucas horas após a divulgação da prévia da inflação, que registrou alta de 0,44% nos preços em março, superando as projeções do mercado. No acumulado do ano, o IPCA-15 apresenta elevação de 3,9%, mantendo-se dentro do intervalo da meta, que varia entre 1,5% e 4,5% ao ano.
Composição da diretoria do BC
Outro tema abordado por Galípolo foi a indicação de novos membros para a diretoria do Banco Central, que também integrarão o Copom. Desde o final do ano passado, o colegiado opera com duas vagas em aberto, após o término dos mandatos do diretor de política econômica, Diogo Guillen, e do diretor de organização do sistema financeiro e resolução, Renato Gomes.
"Essa é uma decisão que compete ao presidente da República, sendo prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo", destacou Galípolo ao responder questionamentos da imprensa. O Palácio do Planalto ainda não sinalizou quais nomes serão indicados para compor o quadro diretivo máximo da autoridade monetária.
Fonte: Investidor 10
Banco Central mantém cautela em política monetária após corte da Selic, afirma Galípolo
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março 26, 2026
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