
A Petrobras (PETR4) emitiu resposta oficial à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negando a existência de defasagem significativa nos preços de combustíveis em relação ao mercado internacional. A manifestação ocorreu após questionamentos da autarquia sobre possível interferência política na estratégia de precificação da estatal.
O pedido de esclarecimentos da CVM foi motivado por declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a necessidade de evitar repasses automáticos ao consumidor diante da alta internacional do petróleo e das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Controvérsia Sobre Defasagem de Preços
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicavam diferenças de R$ 3,05 por litro no diesel e R$ 1,61 por litro na gasolina entre os preços praticados pela Petrobras e os valores de referência internacional. Analistas do setor projetavam perdas potenciais bilionárias caso essa discrepância se mantivesse por período prolongado.
A empresa petrolífera, no entanto, rejeitou categoricamente essas estimativas, afirmando não reconhecer tais cálculos. Em comunicado oficial, a estatal reforçou seu compromisso com a sustentabilidade financeira e garantiu que seus processos de governança corporativa e deveres fiduciários estão sendo rigorosamente observados.
Política de Preços Flexível
A Petrobras defendeu sua estratégia comercial atual, implementada em 2023, que não estabelece periodicidade fixa para reajustes. Segundo a empresa, as decisões de precificação são baseadas em análises técnicas que consideram condições específicas de refino, logística e o objetivo de reduzir a volatilidade no mercado doméstico.
A companhia destacou medidas recentes, incluindo aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A para distribuidoras e participação em programa federal de subvenção que adiciona R$ 0,32 por litro ao combustível. Segundo cálculos da estatal, o efeito combinado dessas ações equivale a R$ 0,70 por litro de diesel.
A empresa reiterou que sua política atual busca equilibrar competitividade internacional com estabilidade no mercado brasileiro, evitando repasses automáticos de oscilações externas que poderiam impactar negativamente a economia doméstica.
Fonte: Investidor 10