
A Petrobras voltou ao centro das atenções dos analistas do mercado financeiro após a recente valorização do petróleo no cenário internacional. A combinação entre os preços elevados do barril e as perspectivas de distribuição de dividendos robustos tem motivado instituições financeiras a revisarem suas avaliações sobre a estatal brasileira.
JP Morgan destaca oportunidade de entrada
O JP Morgan reafirmou sua recomendação de compra para as ações da Petrobras, apontando que a recente desvalorização do papel criou uma janela de entrada atrativa para investidores. O banco norte-americano demonstra confiança na capacidade da empresa de manter seu fluxo de caixa mesmo diante da volatilidade dos preços do petróleo.
Com o cenário geopolítico pressionando as cotações do barril, o JP Morgan revisou sua projeção para o Brent, elevando-a para US$ 85 em 2026. Essa perspectiva mais otimista levou o banco a aumentar sua estimativa de Ebitda da Petrobras para US$ 55,1 bilhões no mesmo período.
A instituição financeira projeta que a estatal poderá oferecer um retorno via dividendos de aproximadamente 9% tanto neste ano quanto no próximo, reforçando o apelo da ação para investidores em busca de renda.
Revisão de preços-alvo
Como consequência da análise mais favorável, o JP Morgan elevou significativamente seu preço-alvo para os ADRs da Petrobras negociados em Nova York, saltando de US$ 16,5 para US$ 24. Paralelamente, o Citi também ajustou suas projeções, aumentando o preço-alvo para a ação preferencial da empresa de R$ 37 para R$ 49.
Essas revisões ocorrem em um contexto de recuperação das ações da Petrobras na Bolsa de Valores brasileira. Após uma queda expressiva que levou o papel a fechar a R$ 46,61 na B3, as ações retomaram a trajetória de alta, sendo negociadas acima dos R$ 47 durante a sessão.
Citi mantém postura cautelosa
Apesar do ajuste positivo no preço-alvo, o Citi mantém uma postura neutra em relação às ações da Petrobras. O banco expressa preocupação com possíveis limitações nos reajustes dos combustíveis comercializados no mercado doméstico, especialmente considerando a participação da estatal no programa de subvenção ao diesel do governo federal.
Segundo a análise do Citi, a Petrobras poderá se beneficiar da alta do petróleo de forma mais limitada do que poderia, concentrando seus ganhos principalmente nas operações de exportação. Essa perspectiva considera que a empresa provavelmente não realizará reajustes significativos nos preços da gasolina no mercado interno.
Perspectivas otimistas para dividendos
Apesar da cautela em relação aos reajustes de preços, o Citi projeta que a Petrobras poderá reduzir seu nível de alavancagem financeira, criando espaço para distribuições mais generosas aos acionistas. O banco estima que os dividendos ordinários poderão atingir até 13% em 2026, uma projeção que supera inclusive as expectativas de outras instituições financeiras.
O BTG Pactual, por exemplo, projeta que o yield de fluxo de caixa livre para o acionista da estatal poderá alcançar aproximadamente 12,7% em 2026. Essa convergência de análises aponta para um cenário favorável para investidores que buscam exposição a ativos com potencial de distribuição de renda consistente.
Fonte: Investidor 10