Guerra no Oriente Médio: Ibovespa registra queda de 4% em um mês com apenas 8 ações no azul

Apenas oito ações conseguiram subir. As demais chegaram a perder até 28% no mês.

O conflito no Oriente Médio completa 30 dias neste sábado (28) sem perspectivas imediatas de trégua, impactando significativamente os mercados financeiros globais e a economia brasileira. Durante este período, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou uma desvalorização de 4%, refletindo a incerteza generalizada entre investidores.

Dados da B3 revelam um cenário preocupante: apenas oito ações do índice conseguiram fechar o período no campo positivo, enquanto a grande maioria enfrentou perdas substanciais, com algumas chegando a despencar quase 30% em valor.

Petroleiras lideram ganhos em meio à crise energética



Como era esperado, as empresas do setor de óleo e gás dominaram a lista de valorizações, beneficiando-se da disparada nos preços do petróleo após o bloqueio do Estreito de Ormuz e a redução da produção em países exportadores da região.

Surpreendentemente, a liderança não ficou com a Petrobras (PETR4), que vem batendo recordes históricos de valor de mercado recentemente. A Prio (PRIO3) emergiu como a maior valorização do período, com alta de 28,8%, impulsionada tanto pela cotação do barril quanto pelo início das operações no campo de Wahoo, que promete ampliar sua produção.

A estatal brasileira ocupou a segunda posição com ganhos de 25,6%, seguida pela SLC Agrícola (SLCE3), que registrou valorização de 13,8%. A conexão entre o agronegócio e o conflito se explica pela alta nas commodities agrícolas como soja e milho, utilizadas na produção de biocombustíveis - alternativa que ganha atratividade com a escalada dos preços do petróleo.

Setores defensivos e oportunidades específicas



Outra empresa do agronegócio que conseguiu resultados positivos foi a MBRF (MBRF3), com alta de 6,1%. A companhia afirmou estar bem posicionada para enfrentar as dificuldades logísticas criadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, graças aos estoques estratégicos mantidos no Oriente Médio.

As demais petroleiras juniores da B3 também registraram ganhos, assim como a Eneva (ENEV3), que se beneficia da alta do gás natural, e a Ultrapar (UGPA3), que pode ampliar suas margens com a valorização dos combustíveis.

Analistas destacam que algumas empresas encontraram oportunidades específicas no contexto do conflito. A Braskem (BRKM5), por exemplo, que vinha sofrendo com a baixa dos preços petroquímicos, agora observa uma melhora nos spreads do setor.

Juros e inflação pressionam ações cíclicas



No lado negativo, a maioria das ações do Ibovespa fechou o período no vermelho, com perdas que frequentemente ultrapassaram os dois dígitos. As maiores baixas concentraram-se em setores cíclicos, particularmente sensíveis aos movimentos da economia e da política monetária.

A guerra criou novos riscos inflacionários globais, com impactos diretos nos preços do petróleo, gás natural, commodities agrícolas e fertilizantes. Essa pressão levou o mercado e o Banco Central a revisarem suas projeções, reduzindo as expectativas de cortes na taxa Selic para o final do ano.

Empresas altamente dependentes do crédito e dos ciclos econômicos enfrentaram as maiores dificuldades. A CSN (CSNA3) liderou as quedas com desvalorização de 28,2%, seguida por MRV (MRVE3) com -26,4%, Cosan (CSAN3) com -25,7% e Minerva (BEEF3) com -25,2%.

O setor de transportes e logística também sofreu impactos significativos, com empresas enfrentando custos operacionais mais elevados devido à alta dos combustíveis. Companhias aéreas já discutem com o governo federal medidas para mitigar esses efeitos.

Análise de especialistas recomenda cautela



"Estamos diante de um cenário muito indeterminado. Não sabemos quanto tempo a guerra vai durar, nem o seu impacto total sobre a economia. Então, é preciso manter uma postura bastante cautelosa", afirmou o economista Pedro Paulo Silveira.

O especialista destacou que mesmo as ações do setor petrolífero enfrentaram fortes oscilações nas últimas semanas, com a cotação do barril variando conforme os sinais de alívio ou intensificação do conflito.

Analistas apontam as empresas de utilidade pública, especialmente do setor elétrico, como opções defensivas neste momento, devido ao fluxo regular de receita e à capacidade de repassar aumentos de custos aos consumidores.

Fonte: Investidor 10
Guerra no Oriente Médio: Ibovespa registra queda de 4% em um mês com apenas 8 ações no azul Guerra no Oriente Médio: Ibovespa registra queda de 4% em um mês com apenas 8 ações no azul Reviewed by Aloha Downloads on março 28, 2026 Rating: 5

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