Fundador da Reag Investimentos se cala em CPI sobre crime organizado após habeas corpus do STF

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, compareceu nesta quarta-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, onde adotou postura reservada durante grande parte do depoimento. O executivo, que obteve autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para não responder questões que pudessem incriminá-lo, inicialmente preferiu manter-se em silêncio, cedendo apenas parcialmente às insistências dos parlamentares.
A estratégia defensiva, elaborada em conjunto com sua equipe jurídica, não foi bem recebida pelo presidente e relator da CPI, nem pela maioria dos congressistas presentes. Mansur foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as investigações que apontam conexões entre o mercado financeiro e organizações criminosas, com foco especial no Primeiro Comando da Capital (PCC).
Defesa e alegações do empresário
Em um dos raros momentos em que se manifestou, Mansur afirmou que sua empresa foi penalizada pelo sistema financeiro por sua dimensão e independência. "Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente", declarou o empresário aos parlamentares.
O fundador da Reag negou veementemente qualquer vinculação com atividades criminosas, destacando que a gestora possuía robusta estrutura de compliance e que todas as operações foram conduzidas com transparência. "Não éramos, nunca fomos empresas de fachada, não temos investidores ocultos", afirmou Mansur, ressaltando que já não atua como diretor da companhia há alguns anos.
Quando confrontado diretamente pelo relator da CPI sobre supostas ligações com o crime organizado, o empresário optou novamente pelo silêncio, invocando a proteção constitucional contra a autoincriminação.
Contexto investigativo e operação da Polícia Federal
A Reag Investimentos tornou-se alvo de intenso escrutínio após operação da Polícia Federal realizada no ano passado, que incluiu busca e apreensão em seu escritório na região da Faria Lima, em São Paulo. As investigações apontam que fundos de investimento administrados pela gestora teriam sido utilizados para lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas.
Mansur contestou essas acusações, argumentando que a empresa chegou a contar com 800 funcionários, administrou 300 fundos de investimento e mantinha base sólida de investidores qualificados. "Trabalhamos de forma muito diligente, muito consciente. Infelizmente passou um rolo compressor", declarou, referindo-se às consequências das investigações.
Liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central
Em janeiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, fundamentando a decisão em graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. A autarquia identificou falhas significativas na gestão de risco, crédito e liquidez em diversas operações da instituição.
O comunicado oficial do BC estabeleceu que "ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição", enquanto as apurações podem resultar em medidas sancionadoras administrativas e comunicações às autoridades competentes.
A CPI do Crime Organizado continua suas investigações sobre as relações entre o mercado financeiro e organizações criminosas, com o caso da Reag Investimentos representando um dos episódios mais emblemáticos deste inquérito parlamentar.
Fonte: Investidor 10
Fundador da Reag Investimentos se cala em CPI sobre crime organizado após habeas corpus do STF
Reviewed by Aloha Downloads
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março 11, 2026
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