BNDES reduz participação na Copel (CPLE3) com venda de 62,3 milhões de ações ordinárias

O BNDES já chegou a ser dono de 24% da Copel, mas agora mantém uma fatia inferior a 20%.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) executou uma significativa redução em sua participação acionária na Companhia Paranaense de Energia (Copel), comercializando mais de 62 milhões de ações ordinárias da empresa no mercado de capitais.

A instituição financeira, que historicamente detinha cerca de 24% do capital da elétrica paranaense, reduziu sua fatia para 19,90% após transações realizadas entre 5 de fevereiro e 10 de março deste ano. A movimentação representa uma estratégia de desinvestimento gradual em empresas consideradas consolidadas e maduras.

Comunicação oficial e garantias institucionais



Em comunicação formal enviada à administração da Copel, a BNDES Participações (BNDESPar) esclareceu que a operação não tem como objetivo alterar a estrutura de controle ou a governança corporativa da companhia de energia.

A subsidiária do banco de desenvolvimento garantiu ainda que não estabeleceu contratos ou acordos que regulamentem direitos de voto ou futuras transações envolvendo ativos da Copel, mantendo a transparência nas relações societárias.

Reposicionamento estratégico do BNDES



O banco mantém um portfólio de participações societárias avaliado em mais de R$ 80 bilhões, incluindo posições em empresas como JBS, Petrobras e Axia (antiga Eletrobras). Contudo, a instituição sinalizou recentemente seu interesse em redirecionar recursos para setores emergentes e projetos inovadores.

Em junho do ano passado, o BNDES anunciou planos para investir R$ 10 bilhões em iniciativas voltadas à transição ecológica, descarbonização e inovação tecnológica. Os recursos para esse reposicionamento estratégico seriam obtidos através da venda de participações em empresas consolidadas ou do recebimento de dividendos.

Histórico de relacionamento e divergências recentes



A relação entre o BNDES e a Copel, que se estende por mais de três décadas, enfrentou tensões nos últimos anos, particularmente em torno do processo de privatização da empresa paranaense em 2023.

O banco manifestou desalinhamento com alguns planos da gestão da elétrica, especialmente quanto à migração para o Novo Mercado da B3. A instituição solicitou que a Copel adiasse essa transição, argumentando que a medida diluiria seus interesses econômicos e políticos na companhia.

Como resultado, a migração completa para o segmento de mais alto padrão corporativo da bolsa brasileira só foi concluída no final de 2025, após a conversão de todas as ações preferenciais em ordinárias.

Valorização e retorno financeiro



A transição para o Novo Mercado impulsionou significativamente a cotação das ações da Copel nos últimos meses, criando condições favoráveis para a operação de desinvestimento do BNDES.

As ações ordinárias da empresa registraram valorização de aproximadamente 80% nos últimos doze meses, sendo negociadas por um preço médio de R$ 14,35 durante o período das vendas institucionais.

Considerando esse valor médio, estima-se que o BNDES tenha arrecadado cerca de R$ 895 milhões com a comercialização de 62,3 milhões de papéis. A instituição não divulgou oficialmente os valores movimentados na operação, mantendo sigilo sobre detalhes financeiros específicos.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, já havia declarado anteriormente que qualquer venda de participações acionárias seria conduzida com extremo cuidado, visando otimizar os resultados financeiros para o banco de desenvolvimento.

Fonte: Investidor 10
BNDES reduz participação na Copel (CPLE3) com venda de 62,3 milhões de ações ordinárias BNDES reduz participação na Copel (CPLE3) com venda de 62,3 milhões de ações ordinárias Reviewed by Aloha Downloads on março 11, 2026 Rating: 5

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