Ibovespa sofre correção de 2,13% após bater recordes históricos com bancos liderando queda

A queda teve como principal vetor os bancos, que vinham liderando o rali das últimas semanas e acabou sendo o foco da realização de lucros.

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira passou por uma correção intensa nesta quarta-feira (3), registrando queda de 2,13% e fechando aos 181.712,55 pontos. O movimento ocorreu após o Ibovespa atingir máximas históricas no pregão anterior, sinalizando uma reversão na aversão ao risco dos investidores no mercado doméstico.

A correção ganhou força progressivamente ao longo da sessão, afetando especialmente as ações de maior peso no índice. Enquanto isso, o mercado cambial apresentou ajuste mais contido, com o dólar fechando praticamente estável a R$ 5,25, mantendo-se próximo das mínimas recentes.

Cenário político pressiona juros domésticos



No cenário doméstico, os investidores reagiram a novas pesquisas eleitorais que mostraram avanço do senador Flávio Bolsonaro, que passou a aparecer tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Segundo levantamento do instituto Meio/Ideia, Lula tem 45,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 41,1%, considerando margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

O empate técnico reacendeu a percepção de risco político e contribuiu para pressionar os ativos locais. Além disso, o mercado seguiu precificando a possível indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para uma diretoria no Banco Central, com impacto negativo na curva de juros.

Setor bancário lidera realização de lucros



A derrocada do Ibovespa foi puxada principalmente pelo setor bancário, que vinha liderando o rali das últimas semanas. As ações do Santander Brasil (SANB11) fecharam em queda de 2,70%, a R$ 34,97, reagindo negativamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 divulgado mais cedo.

O Itaú Unibanco (ITUB4) também registrou queda significativa de 3,5%, encerrando a sessão a R$ 44,52, mesmo com expectativa de resultados robustos para o período. A ação foi a segunda mais negociada da B3, com 63,3 mil negócios e giro financeiro de R$ 1,98 bilhão. A leitura predominante indica que, após valorização expressiva recente, o setor entrou em modo de realização de lucros.

Petrobras cai apesar de alta do petróleo



Entre os demais pesos-pesados, a Petrobras (PETR4) fechou em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco doméstico, mesmo com o petróleo em forte alta no mercado internacional. O contrato do Brent para abril avançou 3,16%, encerrando o dia a US$ 69,46 o barril na ICE de Londres.

A Vale (VALE3) conseguiu fechar em leve alta e ajudou a limitar perdas ainda maiores do Ibovespa. A ação foi a mais negociada da B3 no pregão, com 69,2 mil negócios e movimentação de R$ 4,4 bilhões.

Totvs e Hypera registram maiores quedas



Na ponta negativa do índice, a maior queda do dia ficou com a Totvs (TOTS3), que despencou 13,2%. O movimento refletiu o aumento das preocupações dos investidores com empresas de software expostas à temática de inteligência artificial, em meio a um ambiente global mais cauteloso.

A Hypera (HYPE3) também figurou entre as maiores perdas, com recuo de 10%, após o mercado reagir negativamente ao anúncio de aumento de capital. Na ponta oposta, a Braskem (BRKM5) liderou os ganhos do dia, destoando do tom negativo predominante.

Mercado internacional sob tensão geopolítica



No exterior, os mercados de Nova York encerraram o dia sem direção única. O setor de tecnologia voltou a sofrer, especialmente após as ações da Advanced Micro Devices (AMD) despencarem 16%. A companhia informou que espera leve queda de receita no primeiro trimestre de 2026, levantando dúvidas sobre sua capacidade de competir com a Nvidia no mercado de inteligência artificial.

Os dados de emprego também pesaram, com apenas 22.000 vagas criadas no setor privado dos Estados Unidos em janeiro, bem abaixo das expectativas de 48.000 novos postos. Declarações do presidente Donald Trump elevaram a tensão geopolítica, ao afirmar que o Irã deveria estar "muito preocupado", enquanto criticava a política monetária do Federal Reserve.

Os principais índices internacionais fecharam com desempenhos mistos: Dow Jones (+0,53%), S&P 500 (-0,51%) e Nasdaq (-1,51%). Na Europa, o Stoxx 600 subiu 0,03% renovando máxima histórica, enquanto o FTSE 100 de Londres avançou 0,85%, também em recorde.

Fonte: Investidor 10
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