Ministra Simone Tebet critica 'sequestro' do Orçamento 2026 por emendas parlamentares e anuncia saída do governo

Ministra critica peso das emendas parlamentares nas despesas públicas e cobra transparência.

Em pronunciamento realizado nesta sexta-feira (30), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, fez duras críticas à influência do Congresso Nacional na formulação orçamentária federal. Segundo a titular da pasta, parte significativa do Orçamento de 2026 foi "sequestrada" do controle do Executivo através do mecanismo das emendas parlamentares.

"Uma parcela considerável das despesas orçamentárias, que deveria ser livre para alocação estratégica, foi confiscada por um Congresso Nacional cada vez mais dependente do Orçamento, frequentemente com objetivos eleitorais", declarou a ministra durante painel sobre gestão pública.

Defesa de planejamento e transparência



Apesar das críticas contundentes, Tebet esclareceu que não se opõe ao princípio das emendas parlamentares, mas defende maior racionalidade e transparência na distribuição dos recursos. Ela argumenta que o atual modelo permite que parlamentares individuais manuseiem valores expressivos sem o devido planejamento ou controle social.

"Não me oponho às emendas parlamentares, mas questiono um sistema que concede a uma única pessoa o poder de gerir R$ 60 milhões anualmente sem planejamento adequado, sem atender aos interesses coletivos e sem garantias de que os recursos realmente chegam à população necessitada", afirmou.

Projeto de longo prazo e mudança cultural



A ministra revelou que um dos principais motivos para aceitar o cargo no terceiro mandato do presidente Lula foi a oportunidade de transformar a cultura orçamentária brasileira. Ela destacou avanços significativos no planejamento de longo prazo, incluindo a elaboração de uma estratégia nacional que se estende até 2050.

"O Brasil nunca conseguiu implementar um projeto de planejamento de 25 anos. Provavelmente, este será o primeiro ano em que teremos essa ferramenta, graças à autorização do presidente Lula para desenvolvermos uma estratégia até 2050, que já está concluída", anunciou.

Futuro político e saída do ministério



Durante o evento de lançamento do Observatório da Qualidade do Gasto Público, Tebet abordou diretamente seu futuro político. A ministra confirmou que não permanecerá na Esplanada dos Ministérios e será candidata nas eleições de 2026, embora ainda não tenha definido o cargo ou local de disputa.

Nos círculos políticos, ela é cotada para duas possíveis candidaturas em São Paulo: ao governo do estado ou ao Senado Federal. Tal movimento exigiria mudança de domicílio eleitoral e possivelmente de filiação partidária, já que atualmente integra o MDB.

"São Paulo conta com nomes de peso relevantes, como o ministro da Fazenda Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Trata-se de um projeto coletivo que exige articulações tanto dentro quanto fora dos partidos políticos", ponderou.

A ministra encerrou suas declarações com clareza sobre seus planos: "A certeza é que não permaneço no ministério e serei candidata a alguma posição no processo eleitoral de 2026".

Fonte: Investidor 10
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