
Os investidores de renda fixa estão enfrentando perdas substanciais diante da crescente possibilidade de a Braskem solicitar proteção judicial contra seus credores. Os títulos de dívida emitidos pela petroquímica apresentam desvalorizações expressivas no mercado secundário, refletindo o aumento do risco percebido pela empresa.
Descontos expressivos no mercado secundário
Dados recentes da Anbima revelam que algumas debêntures da companhia estão sendo negociadas com descontos que superam 60% em relação aos valores originais. Um título emitido em 2022, que oferecia remuneração de IPCA mais 5,5% ao ano, exemplifica essa tendência: unidades que inicialmente custavam R$ 1.248 agora são transacionadas por apenas R$ 470, representando uma perda de aproximadamente 63% do capital investido.
Essa desvalorização não se limita às debêntures tradicionais, mas também atinge os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela empresa. A situação reflete a crescente preocupação do mercado com a saúde financeira da petroquímica e sua capacidade de honrar compromissos futuros.
Contexto da crise financeira
A deterioração das condições financeiras da Braskem ganhou contornos mais definidos após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. No relatório, a administração reconheceu a existência de "uma incerteza material que pode gerar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa de continuar operando", linguagem técnica que sinaliza graves problemas de continuidade.
A Bloomberg reportou nesta quarta-feira que a companhia está considerando formalmente a possibilidade de buscar proteção judicial contra credores, diante de uma dívida total que alcança R$ 51 bilhões. A situação se agravou após uma subsidiária mexicana da empresa deixar de realizar pagamentos de títulos emitidos localmente.
Reação do mercado acionário
Paradoxalmente, a notícia sobre o possível pedido de recuperação judicial foi recebida com otimismo pelos investidores em ações. No início do pregão, os papéis da Braskem registraram alta de aproximadamente 6%, aproximando-se da marca psicológica de R$ 10 por unidade.
Analistas interpretam essa movimentação como uma reação positiva à perspectiva de que medidas judiciais possam oferecer uma estrutura mais organizada para a renegociação das dívidas, protegendo parcialmente os interesses dos acionistas. Ao final do dia, contudo, parte desse entusiasmo se dissipou, com as ações estabilizando em alta de 3,5%, negociadas a R$ 9,75 cada.
Cenário mais amplo do mercado
A Braskem não é a única empresa listada na B3 enfrentando pressões em seus títulos de renda fixa. Companhias como Ambipar e Raízen também têm registrado desvalorizações em suas emissões de dívida, indicando um cenário mais desafiador para o mercado de renda fixa corporativa brasileira.
No entanto, a magnitude das perdas observadas nos papéis da petroquímica destaca-se pela severidade, sugerindo que os investidores estão precificando um risco significativamente mais elevado para a empresa em comparação com seus pares do setor.
Fonte: Investidor 10