
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, está considerando medidas judiciais para renegociar sua dívida total de R$ 51 bilhões, segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg. A empresa enfrenta uma deterioração significativa em seus indicadores financeiros nos últimos meses, o que levou a diretoria a avaliar alternativas para reestruturar suas obrigações.
Cenário financeiro preocupante
A situação financeira da companhia se agravou substancialmente, com a petroquímica registrando um prejuízo líquido de R$ 10 bilhões no quarto trimestre de 2025. Este resultado representa uma queda de 82% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando as perdas já alcançavam R$ 5,6 bilhões. Em seu último relatório, a própria empresa admitiu a existência de "uma incerteza material que pode gerar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa de continuar operando".
Para 2026, a Braskem precisa quitar compromissos no valor de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, enquanto a maior parte de sua dívida total possui vencimentos mais prolongados. A crise se estende também à subsidiária mexicana Braskem Idesa, que já deixou de honrar parte dos pagamentos programados para fevereiro, considerando a possibilidade de entrar em recuperação judicial para evitar bloqueios em suas contas.
Alternativas em avaliação
A direção da empresa estuda solicitar judicialmente a postergação dos pagamentos das dívidas, o que proporcionaria um alívio temporário às operações. Fontes próximas ao processo indicam que alguns setores defendem medidas mais drásticas, incluindo a formalização de um pedido de recuperação judicial, que representaria um nível mais avançado de proteção contra credores. Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente sobre essas possibilidades.
O contexto desafiador da Braskem reflete as dificuldades enfrentadas pelo setor petroquímico globalmente, agravadas por uma crise societária interna que permanece sem solução definitiva. A combinação desses fatores tem pressionado o caixa da companhia e comprometido sua capacidade de honrar compromissos financeiros.
Reação paradoxal do mercado
Em uma reação aparentemente contraditória, os investidores receberam positivamente as notícias sobre a possível reestruturação judicial. Durante o pregão desta quarta-feira, as ações da Braskem registraram valorização superior a 6%, aproximando-se da cotação de R$ 10 por papel. Apenas em 2026, a empresa acumula valorização de 28% no mercado, embora o preço atual permaneça significativamente abaixo dos R$ 15 praticados durante sua oferta inicial em 2006.
Analistas de mercado interpretam essa movimentação como uma expectativa de que a reestruturação judicial possa oferecer uma solução organizada para os problemas financeiros da empresa, permitindo sua continuidade operacional em condições mais sustentáveis. A proteção judicial, se concedida, poderia proporcionar um período de respiro para que a companheiro renegocie suas dívidas e implemente um plano de recuperação.
Fonte: Investidor 10