Goldman Sachs eleva projeção da Selic para 12,75% e reduz crescimento do PIB brasileiro para 1,9% em 2026

A persistência do conflito no Oriente Médio e as interrupções no fluxo de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz levaram o Goldman Sachs a realizar uma revisão abrangente de suas projeções macroeconômicas para 2026. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (25), a instituição financeira alerta que o choque energético atua como um "imposto global", combinando pressões inflacionárias persistentes com aperto das condições financeiras e redução do crescimento econômico na América Latina.
A equipe de commodities do banco projeta uma média de US$ 85 para o barril de Brent em 2026, mas adverte que a continuidade das tensões geopolíticas pode levar o preço do petróleo a superar o recorde histórico registrado em 2008.
Inflação latino-americana revisada para alta de 7,6%
O Goldman Sachs elevou significativamente sua projeção de inflação para a América Latina, ajustando a previsão de 6,6% para 7,6% em 2026. Segundo a análise, o risco inflacionário vai além dos impactos diretos nos combustíveis, afetando cadeias produtivas inteiras.
As commodities energéticas funcionam como insumos fundamentais para transporte e geração de energia, com efeitos diretos sobre os custos de manufatura em toda a região. Um fator adicional de pressão vem da China, onde o Índice de Preços ao Produtor (PPI) deve retornar ao território positivo, encerrando três anos de deflação que ajudavam a conter os preços globais de bens.
O aumento nos custos de fertilizantes, fretes marítimos e seguros internacionais adiciona pressão adicional sobre alimentos e produtos importados, ampliando o desafio inflacionário enfrentado pelos países latino-americanos.
Brasil: Selic mais alta e crescimento reduzido
Para o Brasil, o Goldman Sachs revisou sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026, elevando-a de 12,50% para 12,75%. O ajuste reflete o cenário de inflação mais elevada e expectativas crescentes de pressões de preços.
Na avaliação do banco, embora a régua para o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper ou reverter o ciclo de queda dos juros permaneça alta, o caminho de flexibilização monetária passa a ser "muito mais defensivo".
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi revisado para baixo, com a projeção ajustada de 2,0% para 1,9% em 2026 - uma redução de dez pontos-base. Apesar de ser exportador líquido de petróleo, o Brasil sofre com a inflação mais alta, o ritmo mais lento de corte de juros e a elevada sensibilidade do crescimento ao aperto das condições financeiras globais.
Aperto financeiro global impacta crescimento regional
O Índice de Condições Financeiras do Goldman Sachs registrou aumento de aproximadamente 35 pontos-base desde o final de 2025. A instituição estima que o choque energético subtrairá 0,4 ponto percentual do PIB global no cenário base, podendo chegar a 1,2 ponto percentual em um cenário severamente adverso.
Para a América Latina, um aperto de 25 pontos-base nas condições financeiras globais reduz o crescimento regional em 0,24 ponto percentual após um ano. Brasil e Equador apresentam maior sensibilidade, com queda de 0,3 ponto percentual, enquanto o Peru mostra menor vulnerabilidade.
A tabela abaixo resume as revisões de crescimento do PIB por país em 2026, conforme projeções do Goldman Sachs:
| País | PIB 2026 | Variação |
| Brasil | 1,9% | -10 bps |
| México | N/D | -30 bps |
| Chile | N/D | -30 bps |
| Peru | N/D | -40 bps |
| Equador | N/D | +10 bps |
| Argentina | Sem alteração | 0 bps |
| América Latina (média) | 2,0% | -10 bps |
Subsídios pressionam contas fiscais
O Goldman Sachs avalia que as escolhas de política fiscal dos governos latino-americanos moldarão a magnitude e a duração do choque nos preços. Chile e Peru optaram por repassar os aumentos aos consumidores através de mecanismos de suavização, gerando inflação imediata mais forte, mas preservando os balanços públicos.
Em contraste, Brasil, México e Colômbia tendem a recorrer a subsídios e desonerações fiscais. "O custo de subsídios diretos aos combustíveis e desoneração fiscal pesará sobre as contas fiscais ou limitará o ganho inesperado de receita nos cofres públicos", afirma o relatório.
Cenários para o preço do petróleo
A revisão do banco parte de um cenário base que prevê interrupção de seis semanas no Estreito de Ormuz, seguida por recuperação gradual de um mês. Nesse caso, o Brent deve atingir média de US$ 85 em 2026 e US$ 80 em 2027.
Caso a paralisação se prolongue, o Goldman Sachs alerta que o petróleo pode superar o recorde histórico de 2008. "Interrupções mais longas poderiam empurrar o óleo bruto acima do recorde de 2008 e elevar a média do Brent para acima de US$ 100 em 2026, chegando a US$ 115 em um cenário severamente adverso", afirma o documento.
Na direção oposta, um cessar-fogo antecipado poderia descomprimir rapidamente os prêmios de risco embutidos no preço do barril. Para além do curto prazo, o banco espera que governos e empresas ampliem seus estoques estratégicos como resposta à concentração de riscos de produção revelada pelo conflito, mantendo os preços pressionados mesmo após o fim das hostilidades.
Fonte: Investidor 10
Goldman Sachs eleva projeção da Selic para 12,75% e reduz crescimento do PIB brasileiro para 1,9% em 2026
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março 25, 2026
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