B3 emite ultimato à Lojas Marisa: ações AMAR3 negociadas abaixo de R$ 1 podem levar a grupamento até 2026
A B3, operadora da bolsa de valores brasileira, emitiu um alerta formal à Lojas Marisa (AMAR3) nesta quarta-feira (25), estabelecendo um prazo rigoroso para que a varejista de moda feminina resolva a situação de suas ações ordinárias, que estão sendo negociadas abaixo do valor mínimo regulatório de R$ 1 há mais de 30 pregões consecutivos.
A companhia recebeu até 11 de setembro de 2026 para elevar o preço de seus papéis acima do patamar mínimo estabelecido pela bolsa. A persistência das cotações em território de centavos viola as regras da B3, que considera preços excessivamente baixos como fator de intensa volatilidade e especulação sobre o patrimônio dos acionistas.
Medidas corretivas necessárias
Analistas de mercado apontam que a solução mais provável para a Marisa será a realização de um grupamento de ações, procedimento que agrupa múltiplos papéis em um único, elevando artificialmente o preço unitário. A medida é comum entre empresas que enfrentam situações similares de cotações persistentemente baixas.
Em comunicado oficial, a administração da Marisa afirmou que monitora constantemente a situação e avalia "as possíveis alternativas necessárias ou pertinentes" para resolver a questão, demonstrando consciência da gravidade do cenário regulatório.
Cenário financeiro preocupante
O ultimato da B3 ocorre em um contexto particularmente delicado para a varejista. Recente relatório da auditoria independente BDO RCS questionou a capacidade da empresa de manter suas operações após análise detalhada do balanço do terceiro trimestre de 2025, levantando preocupações sobre sua sustentabilidade financeira.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também havia exigido anteriormente que a Marisa revisse e refizesse seus balanços contábeis dos últimos três anos, indicando inconsistências nos relatórios financeiros da companhia.
Destruição histórica de valor
Os números revelam uma trajetória devastadora para os investidores. Dados do Investidor10 mostram que um aporte de R$ 1.000 em ações da Lojas Marisa há dez anos teria se reduzido a apenas R$ 25,10 atualmente, mesmo considerando o reinvestimento de dividendos. Essa perda de 97,5% do patrimônio contrasta fortemente com o desempenho do Ibovespa no mesmo período, que teria transformado os mesmos R$ 1.000 em R$ 3.559,10.
A combinação de desafios regulatórios, questionamentos sobre continuidade operacional e destruição histórica de valor coloca a Marisa em uma posição crítica no mercado de capitais brasileiro, com os próximos meses sendo decisivos para o futuro da tradicional varejista de moda feminina.
Fonte: Investidor 10
B3 emite ultimato à Lojas Marisa: ações AMAR3 negociadas abaixo de R$ 1 podem levar a grupamento até 2026
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março 26, 2026
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