Raízen (RAIZ4) perde grau de investimento após rebaixamento triplo das agências de risco

Fitch, S&P e Moody's cortaram a nota de crédito da Raízen após a empresa contratar assessores financeiros.

A Raízen (RAIZ4) enfrenta uma crise de confiança no mercado financeiro após perder simultaneamente o status de grau de investimento nas três principais agências de classificação de risco globais. O rebaixamento ocorre em um contexto de preocupações crescentes sobre a capacidade da empresa em honrar seus compromissos financeiros e reestruturar sua dívida.

As agências Fitch, S&P Global Ratings e Moody's tomaram a decisão de cortar as notas de crédito da companhia brasileira de energia e biocombustíveis na segunda-feira, 9 de dezembro. O movimento reflete temores generalizados sobre uma possível reestruturação da dívida ou até mesmo um evento de inadimplência, conhecido popularmente como calote.

Contratação de assessores acende alerta


O gatilho para as ações das agências foi a decisão da Raízen de contratar assessores financeiros e legais especializados para avaliar alternativas estratégicas que possam melhorar sua situação de liquidez e estrutura de capital. A medida, embora comum em processos de reestruturação corporativa, foi interpretada pelo mercado como um sinal de que a empresa enfrenta dificuldades mais profundas do que inicialmente divulgado.

A companhia, controlada pela Cosan (CSAN3) e pela Shell (SHEL), vem enfrentando uma combinação desafiadora de fatores: alto nível de endividamento, desempenho operacional abaixo das expectativas, safras agrícolas desfavoráveis e consumo persistente de caixa. Para enfrentar esses desafios, a empresa já vinha implementando medidas como a venda de ativos e considerava uma injeção de capital por parte dos controladores ou a entrada de um novo sócio estratégico.

Fitch alerta para risco real de inadimplência


A Fitch protagonizou o movimento mais agressivo, rebaixando a nota de crédito da Raízen duas vezes no mesmo dia. Inicialmente, a agência reduziu o rating de BBB- para B, citando a falha dos acionistas em realizar um aporte de capital significativo e o fraco desempenho operacional. Posteriormente, o rating foi cortado para CCC-, refletindo a contratação dos assessores.

Em comunicado oficial, a Fitch foi categórica: "As classificações na categoria 'CCC' refletem um risco de crédito substancial, e uma inadimplência ou um processo semelhante a inadimplência são possibilidades reais após as ações adotadas pela empresa e por seus acionistas". A declaração sublinha a gravidade da situação enfrentada pela companhia.

S&P vê reestruturação como default


A S&P Global Ratings adotou posição igualmente preocupante, afirmando que a contratação de assessores aumenta significativamente o risco de uma reestruturação da dívida - evento que a agência trata como equivalente a um default. "O fato relevante anunciado hoje indica a possibilidade da Raízen reestruturar sua dívida nas próximas semanas", afirmou a agência em análise detalhada.

A S&P destacou que a empresa continua consumindo caixa enquanto busca alternativas de capitalização, além de enfrentar um cenário operacional desfavorável. Os preços do açúcar encontram-se nos menores patamares desde 2021, e os volumes de produção diminuíram, especialmente após a venda de ativos. Embora reconheça que a liquidez não representa risco iminente - com caixa projetado de R$ 15 bilhões para cobrir dívida de curto prazo de R$ 8 bilhões até 2025/2026 -, a agência alerta que nada indica uma recuperação expressiva das operações no curto prazo.

Moody's projeta restrições persistentes


A Moody's também ajustou sua avaliação, rebaixando o rating da Raízen de Ba1 para Caa1. A agência incorporou explicitamente o risco de uma transação de dívida em sua análise, citando o elevado grau de endividamento, o desempenho operacional abaixo do esperado e as incertezas sobre a capitalização da empresa.

Em análise técnica, a Moody's observou que "o atual nível de endividamento continua a impor restrições significativas aos negócios, desafiando a capacidade da Raizen de sustentar a geração de caixa positiva". A avaliação sugere que a empresa enfrentará dificuldades persistentes no curto e médio prazo.

Posicionamento oficial da Raízen


A Raízen confirmou a contratação da Rothschild & Co como assessora financeira e dos escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais. Em comunicado ao mercado, a empresa informou que os profissionais já iniciaram "a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, em linha com as melhores práticas de governança e de mercado".

A companhia foi cuidadosa ao ressaltar que "tais avaliações não implicam, até o momento, na celebração de compromisso vinculante relacionado a eventual transação ou operação específica". Além disso, reforçou seu "compromisso com a continuidade regular de suas atividades, reconhecendo a relação com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios como essenciais para a sua operação".

Fonte: Investidor 10
Raízen (RAIZ4) perde grau de investimento após rebaixamento triplo das agências de risco Raízen (RAIZ4) perde grau de investimento após rebaixamento triplo das agências de risco Reviewed by Aloha Downloads on fevereiro 10, 2026 Rating: 5

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