Lucro combinado dos quatro maiores bancos brasileiros registra primeira queda desde a pandemia em 2025

O setor bancário brasileiro registrou um marco histórico em 2025: pela primeira vez desde o período pandêmico, o lucro agregado das quatro maiores instituições financeiras do país apresentou retração. Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) somaram R$ 107,8 bilhões em resultados líquidos no ano, representando uma queda de 4,4% em comparação com os R$ 112,7 bilhões apurados em 2024.
O declínio interrompe uma sequência de quatro anos consecutivos de crescimento, mesmo com o Itaú registrando mais um lucro recorde e com a recuperação observada nos resultados de Bradesco e Santander. A deterioração foi impulsionada principalmente pela performance do Banco do Brasil, cujo lucro encolheu 45,4% no período.
Impacto do Banco do Brasil no setor
A pressão sobre o Banco do Brasil decorreu principalmente do aumento da inadimplência e das provisões no segmento do agronegócio. A instituição encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, o menor resultado anual desde 2020, no auge da crise sanitária. Esse desempenho foi suficiente para arrastar toda a performance do setor para baixo.
Em contraste, quando analisados isoladamente os três grandes bancos privados, o resultado do setor apresentou crescimento de 16,4% em 2025. A evolução histórica do lucro combinado dos quatro maiores bancos revela uma trajetória de recuperação pós-pandemia: R$ 86,6 bilhões (2019), R$ 65,7 bilhões (2020), R$ 90,4 bilhões (2021), R$ 96,3 bilhões (2022), R$ 96,8 bilhões (2023), R$ 112,7 bilhões (2024) e R$ 107,8 bilhões (2025).
Reconfiguração do ranking de lucratividade
A queda acentuada do Banco do Brasil permitiu que o Bradesco ultrapassasse a instituição pública em termos de lucratividade. Enquanto o BB enfrentava desafios no agronegócio, o Bradesco acelerou seu processo de recuperação, ampliando receitas de serviços e expandindo a carteira de crédito, resultando em lucro de R$ 24,6 bilhões - alta de 26,1% sobre 2024, a maior taxa de crescimento entre os bancões.
O Santander manteve trajetória de recuperação, retornando ao patamar de lucro acima de R$ 15 bilhões anuais. O Itaú consolidou sua liderança isolada com mais um resultado recorde. A distribuição dos lucros em 2025 foi: Itaú (R$ 46,8 bilhões, +13,1%), Bradesco (R$ 24,6 bilhões, +26,1%), Banco do Brasil (R$ 20,7 bilhões, -45,4%) e Santander (R$ 15,6 bilhões, +12,6%).
Perspectivas para 2026
As instituições projetam melhora nos resultados para 2026, apoiadas pela perspectiva de queda da taxa básica de juros e pela manutenção de abordagem seletiva no mercado de crédito. O Itaú estima crescimento de 9% no lucro, alcançando aproximadamente R$ 51 bilhões. O Bradesco projeta alta de 11,4%, para R$ 27,5 bilhões, mantendo-se acima do Banco do Brasil.
O BB espera ampliar seu resultado entre 15% e 26% em 2026, com lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões - ainda significativamente abaixo do patamar recorde de R$ 37,9 bilhões observado em 2024. O Santander, sem guidance formal, pretende manter crescimento da carteira de crédito em segmentos mais rentáveis e iniciar redução da inadimplência.
Análise de investimentos
Após a temporada de balanços, o Itaú permanece como preferido entre analistas. As recomendações para Bradesco e Santander variam, enquanto a cautela com o Banco do Brasil persiste, mesmo com resultados do quarto trimestre superando expectativas.
Especialistas destacam que a análise deve considerar não apenas resultados e projeções, mas também o movimento recente das ações. "A pergunta central não é quem lucrou mais, mas sim onde há espaço adicional para valorização e onde o preço antecipou demais a melhora", afirma Bruno Henriques, diretor-executivo do Research do BTG Pactual.
O BTG mantém recomendação neutra para Bradesco, Santander e Banco do Brasil, enquanto o Itaú recebe indicação de compra. Outras casas analíticas apresentam visões diversas: Santander é recomendado pela XP, Bradesco aparece nas listas da Genial Investimentos, UBS BB e Citi. Para o Banco do Brasil, a maioria dos analistas mantém postura neutra, com apenas 2 das 14 casas que cobrem o papel recomendando compra.
Fonte: Investidor 10
Lucro combinado dos quatro maiores bancos brasileiros registra primeira queda desde a pandemia em 2025
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fevereiro 13, 2026
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