Ibovespa bate recorde histórico acima de 190 mil pontos após Suprema Corte dos EUA limitar tarifas de Trump

O índice avançou 1,06%, aos 190.534 pontos, encerrando acima dos 190 mil pela primeira vez na história.

Os mercados financeiros globais reagiram positivamente à decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos que limitou significativamente os poderes do presidente Donald Trump para impor tarifas comerciais unilateralmente. A corte, por 6 votos a 3, determinou que a Constituição americana reserva ao Congresso a prerrogativa de estabelecer tributos, incluindo tarifas, retirando essa competência do Executivo.

A decisão foi interpretada como um alívio relevante para as tensões comerciais globais e reforçou a percepção de freios institucionais ao poder presidencial, limitando políticas fiscais expansionistas potencialmente inflacionárias. O episódio também trouxe maior previsibilidade para o comércio internacional.

Impacto imediato nos mercados



No Brasil, o Ibovespa registrou ganhos expressivos de 1,06%, fechando em 190.534 pontos e rompendo pela primeira vez na história a barreira simbólica dos 190 mil pontos. O dólar comercial caiu 0,98%, negociando na casa de R$ 5,17, renovando a mínima desde maio de 2024.

Em Wall Street, os principais índices também registraram avanços: Dow Jones subiu 0,47%, S&P 500 ganhou 0,69% e Nasdaq avançou 0,90%. Para exportadores brasileiros como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), o ambiente de menor protecionismo é visto como positivo, ao sustentar a demanda global por commodities.

Contexto das tarifas e impacto fiscal



As tarifas defendidas por Trump vinham sendo apresentadas como instrumento de consolidação fiscal, tendo gerado US$ 118 bilhões em receita até o fim de janeiro de 2026, contra US$ 28 bilhões no mesmo período do ano anterior. Estimativas indicavam que poderiam reduzir o déficit americano em até US$ 3 trilhões no longo prazo.

Com a derrubada das medidas, parte dessa receita potencial desaparece, o que pode pressionar juros longos nos Estados Unidos. No entanto, analistas avaliam que o principal vetor de risco fiscal americano segue sendo a trajetória estrutural de gastos e crescimento, não as tarifas.

Reação de Trump e novas medidas



Poucas horas após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da Lei Comercial de 1974. A medida pode vigorar por até 150 dias e atinge todos os países, sendo adicional às tarifas já existentes.

Apesar do novo anúncio, os mercados mantiveram e até aceleraram os ganhos. A leitura predominante foi de que a nova tarifa é temporária, mais limitada e sujeita a prazos legais claros. Investigações sob a Seção 301, também anunciadas, costumam levar meses, reduzindo o risco de mudanças abruptas no curto prazo.

Perspectivas para o Brasil e mercados emergentes



Para Gustavo Sung, da Suno Research, a decisão da Suprema Corte trouxe alívio aos mercados emergentes ao sustentar fluxos comerciais e demanda por commodities. O movimento consolidou um dia histórico para a Bolsa brasileira, com o Ibovespa rompendo a marca simbólica dos 190 mil pontos, o real ganhando força e o fluxo para mercados emergentes se intensificando.

Estrategistas avaliam que o cenário mais provável agora é de recalibração, e não de revogação completa da política tarifária. Caso o resultado seja um ambiente mais previsível e menos sujeito a manchetes abruptas, isso pode sustentar o apetite por risco global.

O próximo capítulo dependerá da evolução das medidas comerciais nas próximas semanas, mas, por ora, o mercado optou pelo alívio e pela celebração de marcas históricas.

Fonte: Investidor 10
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