Tesouro Renda+ 2065 ganha força com queda das taxas e aposta em Selic menor

Título de renda fixa do governo com o maior prazo de vencimento já se afasta de IPCA+ 7% ao ano.

Os investidores que acompanham a renda fixa com foco em marcação a mercado tiveram um novo sinal favorável nesta sexta-feira (8). O Tesouro Renda+ 2065, título público com vencimento mais longo do Tesouro Direto, viu suas taxas se afastarem da faixa de IPCA+ 7% ao ano e avançar em preço no mercado secundário.

Na prática, a mudança foi pequena no rendimento oferecido, mas relevante para quem observa a oscilação dos papéis. Em 28 de abril, a remuneração do título estava em IPCA+ 6,98% ao ano, maior patamar dos últimos 30 dias. Agora, o juro caiu para IPCA+ 6,88% ao ano. Ao mesmo tempo, o preço unitário saltou de R$ 192,98 para R$ 202,41, uma valorização de quase 5% na marcação a mercado.

Esse movimento chama atenção porque mostra como títulos longos podem reagir de forma mais intensa quando as expectativas para os juros futuros mudam. No caso do Tesouro Renda+ 2065, a combinação entre prazo alongado e variação nas taxas cria espaço para ganhos de capital que, em alguns momentos, podem superar a percepção inicial de uma mudança modesta no rendimento nominal.

Entenda o caso


O foco da movimentação está no comportamento dos juros longos no Brasil. Quando as taxas exigidas pelos investidores caem, o preço dos títulos já emitidos tende a subir. Foi exatamente isso que ocorreu com o Tesouro Renda+ 2065, que passou a ser negociado com retorno menor do que o observado dias antes, refletindo uma melhora no apetite por esse tipo de papel.

O texto também relaciona essa dinâmica à Selic. Para Étore Sanchez, economista-chefe da corretora Ativa Investimentos, a queda da taxa básica abre espaço para lucros com marcação a mercado no Tesouro Direto. Ele destaca ainda que, em 2026, a política monetária brasileira estará bastante vinculada aos rumos da guerra no Oriente Médio.

Na avaliação descrita por Sanchez, o Banco Central teria mais conforto para adotar cortes mais fortes se não houvesse condições externas adversas. Em sua carta macro, ele afirma: "Na ausência de condições externas adversas, o Banco Central se sentiria mais confortável para promover afrouxamentos mais robustos. Por isso, traçar hipóteses para o conflito no Oriente Médio é fundamental para antecipar o ciclo de juros. Adotamos em nosso cenário a premissa de que os efeitos do conflito serão mitigados em breve, o que abriria espaço para uma condução mais ousada para baixar os juros brasileiros".

A leitura da Ativa Investimentos, portanto, é de que o ambiente pode favorecer uma aceleração nos cortes da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom. A projeção citada no material é de juros básicos em 11% ao ano ao final de 2026, abaixo do nível atual de 14,50% ao ano.

Por que isso chama atenção


A valorização do Tesouro Renda+ 2065 interessa especialmente a quem acompanha títulos públicos de prazo muito longo e busca ganhos além do rendimento contratado. Em papéis assim, qualquer redução nas taxas de mercado pode provocar alta relevante no preço, justamente por causa do prazo estendido até o vencimento.

Isso torna o título sensível às expectativas sobre a Selic e sobre o cenário macroeconômico. Quando o mercado começa a enxergar um ciclo de afrouxamento monetário mais forte, a consequência costuma aparecer primeiro nas taxas negociadas no Tesouro Direto e, em seguida, no valor de mercado dos títulos.

No caso atual, a proximidade com IPCA+ 7% ao ano funcionava como uma referência simbólica para o investidor. Ao se afastar dessa barreira, o papel reforça a leitura de que o mercado já começa a precificar um ambiente mais benigno para a renda fixa longa. Ainda assim, trata-se de um movimento que exige atenção, porque a marcação a mercado também pode inverter rapidamente quando as expectativas mudam.

Outro ponto relevante é que a tese de cortes mais intensos na Selic não aparece isolada. Ela está conectada à visão da corretora sobre o cenário internacional, especialmente ao conflito no Oriente Médio. Ou seja, o comportamento dos títulos brasileiros segue dependendo não apenas da inflação e da política monetária doméstica, mas também de fatores externos que influenciam a confiança dos agentes e o espaço de atuação do Banco Central.

O que pode acontecer agora


A partir dos dados apresentados, o mercado deve seguir de olho em novas oscilações nas taxas do Tesouro Direto, especialmente nos títulos mais longos. Se a leitura de queda mais forte da Selic ganhar força, o Tesouro Renda+ 2065 pode continuar reagindo positivamente na marcação a mercado.

Ao mesmo tempo, a própria Ativa Investimentos trabalha com a hipótese de que os efeitos do conflito no Oriente Médio sejam mitigados em breve. Se esse cenário se confirmar, a corretora entende que o Banco Central teria mais margem para conduzir cortes de juros em ritmo mais agressivo. Na prática, isso reforçaria a tese de valorização dos papéis prefixados e atrelados à inflação com vencimento distante.

Mas a direção dessa trajetória ainda depende do que acontecer com as variáveis citadas no próprio texto: Selic, cenário externo e percepção sobre os juros futuros. Para o investidor, a leitura principal é que a oscilação recente do Tesouro Renda+ 2065 não veio por acaso. Ela está diretamente ligada à expectativa de um ciclo de juros mais favorável em 2026.

Resumo rápido


O Tesouro Renda+ 2065 avançou na marcação a mercado após queda na taxa de remuneração de IPCA+ 6,98% para IPCA+ 6,88% ao ano. Com isso, o preço unitário subiu de R$ 192,98 para R$ 202,41. A Ativa Investimentos vê espaço para cortes mais fortes da Selic e projeta juros básicos de 11% ao ano ao fim de 2026, ante os atuais 14,50% ao ano. Segundo reportagem do portal Investidor 10.
Tesouro Renda+ 2065 ganha força com queda das taxas e aposta em Selic menor Tesouro Renda+ 2065 ganha força com queda das taxas e aposta em Selic menor Reviewed by Equipe Editorial on maio 09, 2026 Rating: 5

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