Magazine Luiza (MGLU3) reverte lucro e registra prejuízo de R$ 55,2 milhões no 1T26

Varejista sofre com disparada de suas despesas financeiras em período de Selic nas alturas.

A Magazine Luiza (MGLU3) começou 2026 com um resultado mais fraco do que o observado no mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões, revertendo o lucro de R$ 12,8 milhões apurado no 1T25. Quando o cálculo é feito em base ajustada, a fotografia também permanece negativa: o prejuízo foi de R$ 33,9 milhões, ante lucro ajustado de R$ 11,2 milhões no mesmo intervalo de 2025.

O balanço mostra que a pressão veio, principalmente, do aumento das despesas financeiras. No período, elas somaram R$ 568,7 milhões, equivalentes a cerca de 6,2% da receita líquida consolidada, com avanço de 16,5% na comparação anual. Esse movimento ocorre em um ambiente de taxa Selic elevada, que chegou a 15% ao ano no trimestre, o que ajuda a explicar a compressão das margens da varejista.

Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais seguiram relevantes para entender o tamanho da operação. O Ebitda Ajustado ficou em R$ 717,6 milhões no 1T26. Ainda assim, houve recuo de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a margem Ebitda passou de 8,1% para 7,4%. Em outras palavras, a empresa continuou gerando resultado operacional, mas em ritmo menor e com menos eficiência do que no início de 2025.

A receita líquida consolidada atingiu R$ 9,2 bilhões no trimestre, com queda de 2% na comparação anual. Já quando se olha para as vendas totais, que incluem lojas físicas, comércio eletrônico com estoque próprio e marketplace, o volume alcançou R$ 15,2 bilhões. Dentro desse conjunto, as lojas físicas tiveram alta de 6,9%, mas as vendas pela internet caíram 11%, mostrando que o desempenho dos canais seguiu desigual ao longo do período.

Entenda o caso


A principal mudança no resultado da Magazine Luiza entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 está na linha final do balanço. A companhia saiu de lucro para prejuízo, tanto no número contábil quanto na versão ajustada. Isso indica que, mesmo sem considerar eventos não recorrentes, o período foi marcado por uma pressão mais forte sobre o desempenho financeiro da empresa.

O peso das despesas financeiras aparece como o fator mais sensível nessa conta. Com juros elevados, o custo financeiro sobe e afeta diretamente a capacidade de transformar operação em lucro. No caso da Magalu, esse movimento se refletiu em uma despesa financeira de R$ 568,7 milhões, valor que consumiu uma fatia relevante da receita e ajudou a empurrar o resultado para o campo negativo.

Outro ponto importante é a diferença entre o comportamento das vendas físicas e digitais. Enquanto as lojas físicas avançaram, o comércio eletrônico encolheu, o que ajuda a mostrar que a recuperação não ocorreu de forma uniforme em todos os canais. Essa combinação de pressão financeira com queda na receita líquida consolidada cria um cenário mais desafiador para a varejista no curto prazo.

Por que isso chama atenção


O resultado da Magazine Luiza chama atenção porque a companhia é uma das empresas mais acompanhadas do varejo brasileiro e porque o número negativo surge em um ambiente de juros altos, com impacto direto sobre o setor. Quando a Selic permanece em patamar elevado, empresas com maior sensibilidade financeira tendem a sentir mais rapidamente os efeitos no balanço.

Além disso, o dado de Ebitda Ajustado mostra que a operação ainda sustenta geração de caixa operacional, mas não o suficiente para neutralizar a pressão vinda da despesa financeira. Essa diferença entre operação e resultado líquido é justamente o tipo de leitura que o mercado costuma observar com cuidado, especialmente em companhias de varejo que dependem de escala, consumo e custo de capital favorável.

A companhia também divulgou informações que ajudam a compor esse quadro com mais nuance. A geração de caixa operacional nos últimos 12 meses foi de R$ 2 bilhões, influenciada pelo resultado operacional e pela evolução do capital de giro. No MagaluPay, a base de cartões de crédito chegou a 5,6 milhões de unidades, com melhora da taxa de inadimplência superior a 90 dias. São pontos que não anulam o prejuízo, mas mostram que a empresa segue trabalhando em frentes importantes da sua estrutura financeira e operacional.

Outro elemento que merece atenção é a dívida líquida, que somava R$ 3,43 bilhões ao fim do 1T26. O valor é superior aos R$ 2,85 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, a posição de caixa permanecia robusta, com R$ 6,2 bilhões considerando caixa e aplicações financeiras de R$ 1,6 bilhão e recebíveis de cartão de crédito disponíveis de R$ 4,6 bilhões. Esse contraste entre endividamento e disponibilidade de recursos ajuda a dimensionar a liquidez da empresa.

O que pode acontecer agora


A leitura do trimestre sugere que o mercado deve continuar olhando com atenção para a evolução das despesas financeiras e para o comportamento da receita nos próximos balanços. Se os juros permanecerem altos, a pressão sobre o resultado líquido tende a seguir relevante, especialmente se a retomada das vendas digitais não ganhar tração suficiente para compensar as perdas observadas no trimestre.

Ao mesmo tempo, a manutenção de caixa robusto e a geração de caixa operacional indicam que a empresa ainda tem instrumentos para atravessar um ambiente mais exigente. O ponto central, daqui para frente, será observar se a varejista conseguirá recuperar margem, melhorar a eficiência e equilibrar melhor o desempenho entre lojas físicas, internet e marketplace.

Também será importante acompanhar a evolução da inadimplência no MagaluPay e o comportamento da dívida líquida, já que esses fatores costumam influenciar a percepção de risco sobre empresas do setor. Em um cenário de Selic elevada, qualquer melhora operacional precisa aparecer de forma consistente para reduzir o peso das despesas financeiras no balanço.

Resumo rápido


A Magazine Luiza registrou prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões no 1T26, após lucro no mesmo período de 2025, com forte pressão das despesas financeiras. O Ebitda Ajustado caiu 10%, a receita líquida recuou 2% e as vendas online tiveram queda de 11%, enquanto as lojas físicas avançaram 6,9%. A companhia, porém, ainda apresenta geração de caixa operacional robusta e posição de caixa elevada, fatores que seguem relevantes para os próximos trimestres.

Conforme informações publicadas por Investidor 10.
Magazine Luiza (MGLU3) reverte lucro e registra prejuízo de R$ 55,2 milhões no 1T26 Magazine Luiza (MGLU3) reverte lucro e registra prejuízo de R$ 55,2 milhões no 1T26 Reviewed by Equipe Editorial on maio 08, 2026 Rating: 5

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