Embraer (EMBJ3) tem lucro menor no 1T26, mas mantém operação em alta
A Embraer (EMBJ3) abriu 2026 com um contraste claro entre a linha final do balanço e o desempenho operacional. No primeiro trimestre, a fabricante reportou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões, queda de 51,5% em relação aos R$ 299,9 milhões apurados no mesmo período de 2025.
Na base por ação, o movimento também foi forte: o lucro líquido por ação passou de R$ 0,5909 para R$ 0,2429. Frente ao quarto trimestre de 2025, o recuo foi ainda mais acentuado, de 72% no lucro e de 60% no resultado por ação. A empresa, no entanto, afirmou que a comparação foi afetada por mudanças na forma de tratar determinados itens extraordinários, com destaque para os impostos diferidos.
Entenda o caso
No balanço divulgado, a Embraer explicou que, a partir de 2026, deixou de classificar os impostos diferidos como item extraordinário. Segundo a companhia, esse efeito tem impacto de longo prazo próximo de zero. Por isso, ela também ajustou os números comparáveis de 2025 para permitir uma comparação mais justa entre os períodos.Na prática, isso significa que a queda no lucro não pode ser lida isoladamente como um enfraquecimento operacional. A própria empresa reforçou que a mudança contábil teve peso relevante no resultado, especialmente na leitura dos números anuais e trimestrais. Ainda assim, o dado final chamou atenção pelo tamanho da retração em um período em que a operação seguiu aquecida.
O contraste aparece justamente quando se olha para a atividade principal da companhia. A Embraer informou que entregou 44 aeronaves no trimestre e terminou março com carteira de pedidos recorde de US$ 32,1 bilhões. Ao mesmo tempo, a receita consolidada avançou 18% na comparação anual e atingiu R$ 7,6 bilhões, novo recorde para um primeiro trimestre.
A empresa destacou que todas as suas unidades tiveram desempenho positivo, impulsionadas por maior demanda, reajustes de preços e mudanças no mix de produtos. A receita da defesa e segurança cresceu 47%, a da aviação comercial subiu 32%, a da aviação executiva avançou 17% e a de serviços e suporte aumentou 4%. Já o Ebitda chegou a R$ 749,4 milhões, alta de 18% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Por que isso chama atenção
O caso chama atenção porque mostra duas leituras diferentes do mesmo balanço. De um lado, há uma companhia com receita maior, pedidos em nível recorde e entregas relevantes. De outro, o lucro líquido ajustado veio bem abaixo do esperado em relação ao ano anterior, o que tende a pesar na percepção do mercado no curto prazo.Esse tipo de divergência entre operação e lucro costuma ser observado com cuidado por investidores. Quando a receita cresce e a carteira de pedidos avança, a expectativa natural é de fortalecimento. No entanto, margens pressionadas e mudanças contábeis podem alterar a fotografia final do trimestre. Foi justamente o que ocorreu com a Embraer, que apontou ainda recuo de margens na aviação comercial e executiva por causa do mix de clientes, dos custos logísticos mais altos e das tarifas dos Estados Unidos.
Outro ponto que ajuda a dimensionar o trimestre é o fato de que, na comparação com o quarto trimestre de 2025, a receita consolidada, o Ebitda e as margens também recuaram. Ou seja, embora o trimestre tenha mantido força operacional em relação ao ano anterior, houve perda de fôlego em relação ao período imediatamente anterior.
Ainda assim, o conjunto dos números mostra uma empresa que segue entregando aeronaves, ampliando faturamento e acumulando pedidos, mesmo com pressão sobre os resultados finais. Para o mercado, esse equilíbrio entre crescimento operacional e lucro menor costuma ser o ponto central da leitura do balanço.
O que pode acontecer agora
A Embraer manteve suas projeções para 2026 ao divulgar o resultado. A empresa trabalha com entrega de 80 a 85 aeronaves no segmento comercial e de 160 a 170 jatos executivos ao longo do ano.Além disso, a companhia projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, considerando os efeitos das tarifas de 10% dos Estados Unidos, e fluxo de caixa livre ajustado de ao menos US$ 200 milhões em 2026.
A manutenção do guidance ajuda a sinalizar confiança da administração na evolução dos negócios ao longo do ano, mesmo após a queda no lucro trimestral. Para investidores, isso indica que a empresa segue apostando em uma trajetória de expansão operacional, ainda que o resultado contábil do trimestre tenha ficado pressionado por ajustes e por um ambiente de custos menos favorável.
As estimativas não incluem o desempenho da Eve Air Mobility (EVEB31), subsidiária da Embraer voltada à mobilidade aérea urbana. A unidade também registrou prejuízo no primeiro trimestre, em meio aos investimentos necessários para o desenvolvimento do carro voador, o que mantém esse braço do grupo fora da conta principal do guidance.
Resumo rápido
A Embraer abriu 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões, queda de 51,5% na comparação anual, mas sustentou uma operação forte no trimestre. A companhia entregou 44 aeronaves, alcançou carteira recorde de US$ 32,1 bilhões e registrou receita histórica de R$ 7,6 bilhões para um primeiro trimestre. Mesmo com a pressão sobre margens e lucro, a empresa manteve as projeções para o ano e seguiu indicando crescimento operacional ao longo de 2026.Segundo reportagem do portal Investidor 10.
Embraer (EMBJ3) tem lucro menor no 1T26, mas mantém operação em alta
Reviewed by Equipe Editorial
on
maio 08, 2026
Rating:
Post a Comment