Compass faz IPO na B3, mas ação sai no piso da faixa e levanta R$ 2,8 bilhões

A Compass Gás e Energia conseguiu concluir sua oferta pública inicial de ações e encerrou um intervalo de quase cinco anos sem IPOs na B3. A operação, porém, saiu com preço no limite inferior da faixa estimada, a R$ 28 por ação.
A empresa ligada ao grupo Cosan havia sinalizado uma faixa de R$ 28 a R$ 35 por papel e pretendia vender ao menos 89,3 milhões de ações. No fim, a demanda permitiu ampliar o volume ofertado, mas não houve espaço para elevar o preço. O resultado foi a venda de quase 100,9 milhões de ações, o que movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões.
A precificação foi concluída na madrugada desta sexta-feira (8), depois de dez dias de conversas com investidores. Segundo a própria companhia, o preço por ação levou em conta as manifestações de interesse recebidas ao longo do processo de oferta.
Entenda o caso
A operação da Compass foi desenhada como uma oferta pública inicial de ações, o chamado IPO, e marcou a estreia da companhia no mercado acionário brasileiro sob o ticker PASS3. A estreia na B3 está prevista para segunda-feira (11).
O movimento chama atenção porque representa o primeiro IPO realizado na bolsa desde setembro de 2021, quando a Vittia (VITT3) abriu capital. Desde então, o mercado vinha sem novas estreias desse tipo, o que torna a volta da janela de ofertas algo observado com atenção por investidores e analistas.
Outro ponto relevante é que a Compass não fez uma oferta primária, na qual a empresa recebe os recursos para reforçar o caixa. Tratou-se de uma oferta secundária. Ou seja, quem vendeu as ações foram os acionistas já existentes, especialmente a Cosan, controladora da companhia.
A Cosan, que detém 88% da Compass, foi a principal vendedora e participou da operação com o objetivo de levantar recursos para reduzir seu endividamento. Ao vender mais de 76,8 milhões de ações, ela respondeu por 76% dos papéis envolvidos no IPO.
Além da Cosan, Bradesco Previdência e fundos geridos pela Atmos também venderam participação na oferta.
Por que isso chama atenção
O fato de a ação ter sido precificada no piso da faixa não significa fracasso da operação, mas mostra que o mercado exigiu um desconto maior do que o desejado pela companhia. Em termos práticos, a demanda foi suficiente para absorver mais papéis, mas não para sustentar uma avaliação mais alta no preço final.
Esse comportamento ajuda a medir o apetite dos investidores em um momento de retomada lenta das ofertas na B3. Quando uma empresa consegue abrir capital após um período tão longo sem IPOs, a leitura do mercado costuma ser dupla: de um lado, há interesse; de outro, o nível de exigência segue alto.
Os números também mostram o tamanho da operação. Com os 100,9 milhões de ações vendidas, a Compass levantou cerca de R$ 2,8 bilhões. Caso o lote suplementar venha a ser exercido, mais 13,3 milhões de ações poderão ser vendidas, sempre ao preço de R$ 28 por papel. Se isso ocorrer integralmente, o volume total pode subir para R$ 3,2 bilhões.
Esse lote adicional existe justamente para situações de volatilidade na estreia. Na prática, ele funciona como uma ferramenta para tentar suavizar oscilações mais fortes no mercado logo após o início das negociações.
Também chama atenção a mudança na estrutura acionária da Cosan. Com a venda realizada, sua fatia na Compass caiu de 88% para 77,25%. Se o lote suplementar for totalmente colocado no mercado, essa participação ainda pode recuar para 75,37%.
O dinheiro movimentado na oferta, no entanto, não entra no caixa da Compass. Como se trata de uma venda secundária, os recursos vão para os acionistas vendedores, sobretudo a Cosan. Dos R$ 2,8 bilhões já levantados, R$ 2,15 bilhões ficaram com a controladora. Caso o lote suplementar seja integralmente vendido, esse valor pode chegar a R$ 2,52 bilhões.
O que pode acontecer agora
A próxima etapa é a estreia da Compass na B3, marcada para segunda-feira (11). A negociação sob o código PASS3 será o primeiro teste público da oferta, já que o comportamento do papel no pregão inicial poderá indicar como o mercado enxerga a precificação definida no IPO.
Se a ação passar por forte volatilidade, a companhia pode recorrer ao lote suplementar de 13,3 milhões de papéis para tentar dar mais estabilidade ao preço. Esse movimento, se acontecer, aumentará o volume total da oferta e elevará o valor movimentado para R$ 3,2 bilhões.
Ao mesmo tempo, investidores devem observar como o mercado reagirá ao fato de a operação ter saído no piso da faixa. Isso costuma ser interpretado como um sinal de prudência na definição do preço final, especialmente em uma oferta secundária de grande porte como esta.
Também ficará mais clara, a partir da estreia, a leitura sobre a nova participação da Cosan na Compass. A redução para 77,25% já é relevante e pode ser ainda maior caso o lote suplementar seja exercido integralmente.
Resumo rápido
A Compass concluiu seu IPO na B3 após quase cinco anos sem ofertas desse tipo no mercado brasileiro. A ação saiu a R$ 28, no piso da faixa estimada, e a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. A estreia na bolsa está prevista para segunda-feira (11), sob o ticker PASS3. Se houver forte volatilidade, a companhia pode vender um lote suplementar de ações e elevar o total captado para R$ 3,2 bilhões. Como a oferta foi secundária, os recursos vão principalmente para a Cosan, que reduziu sua participação na Compass.
Informações originalmente publicadas por Investidor 10.
Compass faz IPO na B3, mas ação sai no piso da faixa e levanta R$ 2,8 bilhões
Reviewed by Equipe Editorial
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maio 08, 2026
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