Sequoia vende ativos de e-commerce ao Mercado Livre e avança na reestruturação
A Sequoia (SEQL3) fechou um acordo milionário com o Mercado Livre (MELI34) que deve marcar uma nova fase da companhia e concluir parte importante do seu processo de reestruturação.
A empresa brasileira vendeu ativos operacionais avaliados em US$ 7,5 milhões para o marketplace argentino, valor que equivale a mais de R$ 37 milhões no câmbio atual. Entre os itens negociados está o sistema de classificação de cargas de alta tecnologia Mega Sorter Damon, em operação em um centro de distribuição em São Paulo, cujo contrato de locação foi transferido ao Mercado Livre.
Sequoia deixa o e-commerce
A transação representa a saída da Sequoia do segmento de logística para e-commerce. Segundo a administração, trata-se também da etapa final do processo de reestruturação da companhia.Em fato relevante, a empresa afirmou que esse mercado perdeu atratividade no Brasil em razão da forte concorrência com os marketplaces, das margens apertadas e da elevada demanda por capital de giro.
A Sequoia também informou que o Mega Sorter Damon vinha gerando prejuízo, já que sua capacidade é voltada a grandes volumes e o equipamento operava sem escala relevante.
Com isso, a companhia diz deixar um segmento que vinha "drenando recursos financeiros e esforços comerciais, operacionais e administrativos". A partir de agora, a prioridade será concentrar esforços em operações mais rentáveis.
A estratégia passa pelos segmentos em que a empresa diz ter "sólido histórico operacional e geração positiva de caixa", como a logística de objetos bancários e o mercado B2B, com serviços como a entrega de maquininhas e cartões de bancos.
Ganho de liquidez
A Sequoia informou ainda que o pagamento deve ser concluído no curto prazo, o que deve trazer liquidez e ajudar na reorganização das contas.O cronograma acertado com o Mercado Livre prevê:
- 50% em até 21 dias corridos após o cumprimento das condições precedentes, como a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica);
- 25% em até 21 dias corridos após o pagamento da primeira parcela, condicionado à assinatura do instrumento de cessão aplicável;
- 25% em até 21 dias corridos após a conclusão da tradição física e operacional dos ativos.
A empresa afirmou que a conclusão da venda e da desmobilização desse segmento é a etapa final do processo de reestruturação iniciado no fim de 2023.
Reestruturação
A Sequoia está entre as maiores empresas privadas de logística e entregas do país, especialmente após a fusão com a Move3 em 2023.Apesar disso, a companhia acumulou prejuízos e chegou a dar calote em fundos imobiliários em 2023, além de ter sido citada em pedidos de falência. Foi nesse contexto que entrou em reestruturação.
Desde então, a empresa descontinuou rotas e clientes menos rentáveis, vendeu outros ativos e trocou de comando. Em 2024, também pediu recuperação extrajudicial para renegociar dívidas.
Nesta semana, a Sequoia anunciou mais um avanço desse processo ao fechar acordo com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para reduzir em 84% o passivo tributário e permitir o parcelamento da dívida.
O acordo também permitirá à companhia obter certidões negativas de débito, participar de novos processos licitatórios, renovar contratos e acessar linhas de crédito mais competitivas, além de afastar execuções fiscais. Segundo a Sequoia, isso abre "caminho para um crescimento sustentável e para a entrega de valor aos seus acionistas e parceiros".
O impacto nas ações
Com o acordo tributário, as ações da Sequoia subiram mais de 21% na segunda-feira (20). Ainda assim, o papel continua entre as penny stocks da B3, o que levou a companhia a avaliar um novo grupamento de ações neste ano.A Sequoia foi notificada pela B3 no fim de março por causa do baixo valor de seus papéis e tem até 25 de setembro para fazer com que as ações voltem a ser negociadas acima de R$ 1. A empresa informou que pretende ajustar a cotação por meio de um novo grupamento, mas ainda não divulgou o cronograma da operação.
Fonte: Investidor 10
Sequoia vende ativos de e-commerce ao Mercado Livre e avança na reestruturação
Reviewed by Equipe Editorial
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abril 22, 2026
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