Raízen (RAIZ4) cai com pressão de credores e impasse sobre Ometto

A empresa enviou uma proposta alternativa aos credores no último sábado (25), segundo a Bloomberg News, citando fontes a par do assunto. A Raízen (RAIZ4) voltou a ficar entre os principais destaques negativos do Ibovespa nesta segunda-feira (27), após novas informações reforçarem a tensão nas negociações com credores. O papel terminou o pregão em queda de 5,77%, cotado a R$ 0,49, depois de chegar a recuar 7,69% ao longo do dia. O movimento ocorre em meio à tentativa da companhia de avançar na reestruturação de uma dívida de R$ 65 bilhões. Segundo informações atribuídas à Bloomberg News, a empresa enviou no sábado (25) uma proposta alternativa aos credores, enquanto busca uma solução para a combinação entre alívio financeiro, novo capital e mudanças na governança.

Entenda o caso

A discussão envolvendo a Raízen ganhou novo capítulo com a revelação de que a companhia está negociando uma captação adicional de R$ 2,5 bilhões a R$ 5 bilhões. Esse valor se somaria aos R$ 4 bilhões em financiamento que Shell e Rubens Ometto já haviam se comprometido a aportar. O ponto central, no entanto, segue travado. Os credores não reagiram bem à proposta e continuam insistindo para que Rubens Ometto deixe a presidência do conselho de administração da empresa. O empresário, por sua vez, resiste a essa condição. Ainda segundo a Bloomberg News, a Raízen chegou a sinalizar abertura para a criação de um comitê de credores, mecanismo que daria mais acompanhamento à governança. Mesmo assim, a companhia não estaria disposta a abrir mão de manter Ometto no comando do colegiado. A pressão sobre os papéis reflete a percepção do mercado de que o processo de renegociação ainda está longe de uma solução consensual. Enquanto não houver acordo, a leitura dominante é de que a volatilidade deve continuar elevada.

Por que isso chama atenção

A reação do mercado mostra como a combinação entre dívida elevada e impasse societário pesa sobre a confiança dos investidores. Quando uma companhia precisa negociar capital novo e, ao mesmo tempo, enfrenta exigências sobre a estrutura de poder, a incerteza tende a crescer. Foi essa a avaliação de Flávio Conde, head de ações da Levante Investimentos, que relacionou o desempenho negativo ao alto endividamento e ao conflito com os credores. Para ele, o cenário ainda é pouco favorável ao acionista minoritário, especialmente se a negociação avançar para uma nova emissão de capital. "Os acionistas querem que Shell e Cosan (CSAN3) coloquem R$ 8 bilhões. A proposta inicial é R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Ometto, e a Cosan não entraria. Então tem que ver como seria, mas é pouco", avaliou. Na mesma linha, o analista destacou que o capital adicional em discussão pode mudar a estrutura acionária da companhia. "Seja qual for a direção, vai envolver nova emissão de capital, o que significa diluição dos atuais acionistas e, portanto, a Raízen, que está caindo hoje, poderá cair mais ainda", afirmou. Esse ponto ajuda a explicar a pressão sobre a ação. Em momentos de reestruturação, o mercado costuma reagir com cautela quando existe risco de diluição e indefinição sobre quem bancará a próxima etapa do processo.

O que pode acontecer agora

O próximo passo depende da evolução das conversas com os credores e da aceitação, ou não, da proposta alternativa apresentada pela Raízen. Se houver avanço, a companhia poderá destravar parte do processo de reorganização financeira e reduzir a incerteza em torno da dívida. Mas, enquanto a exigência de saída de Ometto do conselho continuar em aberto, o impasse tende a persistir. A manutenção desse conflito cria mais dúvidas sobre o desenho final da governança e sobre o volume de capital que será necessário para sustentar a reestruturação. Na visão de Flávio Conde, o momento ainda não é favorável para quem pensa em entrar no papel. A recomendação dele é de cautela enquanto os desdobramentos seguem indefinidos. A situação também recoloca em evidência a dimensão do desafio enfrentado pela Raízen. A companhia é uma joint venture entre Cosan e Shell e pediu recuperação extrajudicial em março deste ano para tratar da dívida bilionária. Esse instrumento permite renegociar parte das obrigações diretamente com credores específicos, sem recorrer à recuperação judicial. No caso da Raízen, a busca por uma solução ocorre após um período de forte pressão operacional. O texto original aponta que os problemas vieram de um ciclo de altos investimentos, somado a clima desfavorável e incêndios em canaviais, fatores que afetaram as colheitas e reduziram os volumes de esmagamento de cana.

Resumo rápido

A Raízen voltou a cair forte na Bolsa após novas informações sobre a negociação com credores e a disputa em torno da permanência de Rubens Ometto no conselho. O mercado reage à combinação de dívida elevada, possível nova emissão de capital e risco de diluição dos atuais acionistas. Enquanto não houver consenso, o papel tende a seguir sob pressão, com investidores acompanhando cada avanço das conversas.

Segundo reportagem do portal Investidor 10.
Raízen (RAIZ4) cai com pressão de credores e impasse sobre Ometto Raízen (RAIZ4) cai com pressão de credores e impasse sobre Ometto Reviewed by Equipe Editorial on abril 27, 2026 Rating: 5

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