
A Previ, fundo de previdência complementar dos funcionários do Banco do Brasil (BBAS3), executou uma operação de venda de aproximadamente R$ 1 bilhão em ações da Petrobras (PETR4) durante o período em que a estatal atingiu máximas históricas no mercado. A movimentação foi revelada pela coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo e representa uma estratégia de realização de lucros em um contexto de valorização expressiva dos papéis.
A decisão reflete o posicionamento conservador do fundo, que tem priorizado investimentos em renda fixa diante do atual cenário de taxas de juros elevadas. A operação integra um programa mais amplo de desinvestimentos realizado pela Previ ao longo de 2025, que incluiu vendas oportunísticas em doze empresas listadas na bolsa, entre elas BRF e Neoenergia (NEOE3), totalizando cerca de R$ 21 bilhões em realizações.
Desempenho financeiro e estratégia de investimentos
Claudio Gonçalves, diretor de investimentos da Previ, explicou o contexto que motivou as vendas, destacando o desempenho positivo de grandes companhias brasileiras. "Vale (VALE3), Petrobras e Banco do Brasil subiram", afirmou o executivo, referindo-se ao ambiente favorável para realização de ganhos.
A entidade encerrou o exercício de 2025 com superávit financeiro de R$ 12,5 bilhões, alcançando rentabilidade acumulada de 16,1% no período. O resultado foi impulsionado por ganhos tanto na carteira de renda variável quanto na de renda fixa, superando a meta atuarial estabelecida de INPC mais 4,75%.
Márcio Chiumento, presidente da Previ, ressaltou em entrevista a jornalistas que apenas com investimentos em ações, o fundo obteve retorno de 40% no ano anterior, demonstrando a eficácia da estratégia de gestão adotada pela instituição.
Contexto de mercado e desempenho da Petrobras
As ações da Petrobras protagonizaram um dos movimentos mais expressivos do mercado brasileiro em março, beneficiando-se diretamente da alta de 42% no preço do petróleo Brent durante o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. No período, a estatal estabeleceu onze recordes consecutivos de valor de mercado, atingindo em 30 de março a marca histórica de R$ 677,2 bilhões em capitalização.
No acumulado do trimestre, os papéis da companhia registraram valorização próxima a 60%, impulsionados também pelo significativo fluxo de recursos estrangeiros direcionados ao mercado brasileiro nos primeiros meses do ano. O cenário geopolítico permanece tenso, com o Estreito de Ormuz - principal rota de transporte marítimo de petróleo bruto - mantendo-se fechado para a passagem de petroleiros.
Analistas do UBS BB mantêm avaliação positiva sobre a Petrobras, destacando perspectivas de forte geração de caixa e dividend yield entre 11% e 12% para os próximos dois anos. Segundo os especialistas, esses indicadores permanecem "entre os mais elevados entre seus pares globais, mesmo após o rali recente" observado nas cotações.
Fonte: Investidor 10