Pague Menos pode subir até 55% com tese do BTG ligada ao GLP-1

A Pague Menos voltou ao radar do BTG Pactual com uma avaliação mais otimista. O banco retomou a cobertura das ações da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9, acima dos R$ 6,50 definidos antes, o que implica potencial de valorização de 55% em relação ao último fechamento.
Na visão dos analistas, a varejista farmacêutica entra em uma nova etapa depois de um período marcado por reestruturação, reforço do balanço e mudanças na forma de executar sua estratégia. O relatório também aponta que a empresa deve se beneficiar de uma combinação de fatores que inclui crescimento operacional, melhora de produtividade e o avanço da demanda por medicamentos da classe GLP-1.
No centro da tese estão produtos como Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes e obesidade. Para o BTG, esse segmento deixou de ser apenas uma oportunidade pontual e passou a ter peso relevante dentro da operação. Segundo o banco, mesmo em um cenário conservador, a categoria já responde por 9,1% das receitas do quarto trimestre e deve contribuir com cerca de 3 pontos percentuais para o avanço da receita líquida consolidada, o que equivale a aproximadamente 25% do crescimento anual estimado.
Entenda o caso
O BTG descreve a trajetória recente da Pague Menos em três momentos distintos. Primeiro, veio uma fase de expansão acelerada, com forte alocação de capital. Depois, a companhia enfrentou os efeitos da integração da Extrafarma, alterações de demanda provocadas pela pandemia e aumento do endividamento. Agora, segundo a leitura do banco, a empresa vive um terceiro capítulo, marcado pela entrada de uma nova equipe de gestão e por uma reestruturação mais ampla, com foco em disciplina de capital.
A retomada da cobertura veio justamente nesse ambiente de reconstrução. O relatório destaca que o recente follow-on ajudou a fortalecer o balanço e abriu espaço para uma nova fase de crescimento, sustentada por maior produtividade e por um pipeline de expansão renovado, ainda que de forma gradual.
A avaliação do banco também considera o contexto do setor farmacêutico como favorável. Na leitura dos analistas, há fundamentos para crescimento acima da inflação, apoiados em clientes recorrentes, novas tecnologias e um processo de consolidação do mercado. Dentro dessa lógica, a Pague Menos aparece como uma companhia com margem para recuperar eficiência e ganhar escala.
Outro ponto que chama atenção no relatório é a distância entre o desempenho da rede e um índice de referência usado pelo BTG. A empresa ainda opera cerca de 35% abaixo desse parâmetro em vendas por loja por mês, o que, na avaliação dos analistas, representa uma janela importante para avanço de produtividade.
Por que isso chama atenção
A projeção do BTG não se apoia apenas no efeito dos medicamentos GLP-1. O banco também incorporou a expansão de lojas à tese, depois do reforço do balanço. Mesmo após oito trimestres seguidos de crescimento acima de 10% na receita líquida, a companhia abriu apenas cerca de 40 lojas líquidas desde 2022 e terminou 2025 com 1.680 unidades.
Esse número ajuda a explicar por que a expansão voltou a ser considerada uma avenida relevante para o negócio. De acordo com os analistas, o modelo de abertura de lojas foi refinado e as unidades mais recentes vêm amadurecendo melhor do que a base legada. Com isso, o BTG passou a assumir lançamentos equivalentes a um crescimento anual de cerca de 6% da área de vendas a partir de 2027.
Para o mercado, a combinação de expansão gradual, melhoria operacional e ganho de participação em uma categoria de alta demanda tende a reforçar a percepção de que a Pague Menos pode destravar valor ao longo dos próximos anos. Não se trata apenas de uma aposta em receita maior, mas de uma tese amparada por maior eficiência, diluição de custos e fortalecimento da estrutura financeira.
As estimativas do BTG mostram essa leitura com clareza. O banco projeta CAGR de Ebitda de 15% entre 2025 e 2028, além de crescimento de 32% no lucro por ação no mesmo período. Na prática, isso indica expectativa de avanço consistente em rentabilidade e geração de resultado por papel, caso a empresa consiga executar o plano traçado.
O que pode acontecer agora
A partir da visão apresentada pelo BTG, o foco do mercado deve se concentrar em dois movimentos simultâneos. O primeiro é a continuidade do fortalecimento financeiro da companhia, essencial para sustentar a expansão sem pressionar a estrutura de capital. O segundo é a evolução da operação, especialmente na produtividade das lojas e na captura do potencial ligado aos medicamentos GLP-1.
Se a empresa mantiver a melhora operacional e avançar no ritmo projetado, a tese da casa pode ganhar tração entre investidores que buscam pequenas e médias empresas com espaço de reprecificação. O preço-alvo de R$ 9 sugere que o banco vê margem para a ação andar mais do que o mercado vinha precificando até aqui.
Ao mesmo tempo, a leitura do relatório deixa claro que o crescimento não depende de um cenário extraordinário. Os analistas afirmam que não é necessário adotar uma visão otimista de curto prazo para sustentar as projeções apresentadas. Isso reforça a ideia de uma tese construída sobre bases operacionais e financeiras, e não sobre expectativas excessivamente agressivas.
No curto prazo, investidores devem acompanhar a velocidade de amadurecimento das lojas, a evolução das receitas ligadas ao GLP-1 e a capacidade da Pague Menos de converter a reestruturação em resultado mais forte. São esses elementos que devem mostrar se a companhia consegue transformar a nova fase em um ciclo duradouro de crescimento.
Resumo rápido
O BTG Pactual retomou a cobertura da Pague Menos com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9, enxergando potencial de alta de 55%. A tese combina reforço do balanço, expansão de lojas, ganho de produtividade e a força dos medicamentos GLP-1, que já têm peso relevante na receita. O banco vê espaço para avanço operacional nos próximos anos, com estimativas de crescimento consistente de Ebitda e lucro por ação.
Conforme informações publicadas por Investidor 10.
Pague Menos pode subir até 55% com tese do BTG ligada ao GLP-1
Reviewed by Equipe Editorial
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abril 23, 2026
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