
A holding Itaúsa (ITSA4) comunicou nesta terça-feira (14) que ajustes contábeis realizados pela Aegea Saneamento resultaram em redução de R$ 700 milhões em seu patrimônio líquido. A empresa classificou o impacto como "imaterial" considerando seu patrimônio total de R$ 89 bilhões ao final de 2025, mas solicitou formalmente à companhia de saneamento um diagnóstico detalhado sobre as falhas identificadas.
A Itaúsa, que detém 13,27% do capital social da Aegea, enfatizou em fato relevante assinado por Alfredo Setubal que exerce apenas influência minoritária através dos órgãos de governança, sem participação na gestão operacional e financeira da empresa de saneamento. A holding demandou a apresentação de um plano de ação para fortalecimento das práticas de governança, gestão de riscos e controles internos da Aegea.
Revisão contábil reduz patrimônio da Aegea em R$ 5 bilhões
A Aegea republicou recentemente suas demonstrações financeiras de 2024 com ajustes significativos que reduziram seu patrimônio líquido de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,39 bilhões - queda de aproximadamente R$ 5 bilhões. Entre as correções realizadas estão reavaliação de valor justo de títulos na coligada Águas do Rio, remensuração de provisões judiciais, baixa de gastos indevidamente classificados e equiparação de critérios contábeis.
A companhia também divulgou com atraso seus resultados do quarto trimestre de 2025, registrando queda de 31% no lucro trimestral. A Itaúsa havia reavaliado o valor justo de seu investimento na Aegea para R$ 5,61 bilhões em março, antes da divulgação dos ajustes contábeis.
Impacto limitado nos resultados da holding
Apesar do valor expressivo, a participação na Aegea representa parcela mínima nos resultados da Itaúsa. Dados da holding indicam que a empresa de saneamento contribui com apenas 0,4% do lucro líquido recorrente anual e 0,25% do resultado de equivalência patrimonial da Itaúsa.
Entre fevereiro e março de 2026, a holding participou de duas operações de aumento de capital na Aegea, injetando aproximadamente R$ 418 milhões e elevando sua participação de 12,82% para 13,27% do capital social.
IPO da Aegea adiado para 2027
A crise contábil também impactou os planos de abertura de capital da Aegea. Em teleconferência de resultados realizada na segunda-feira, o presidente da companhia, Radamés Casseb, afirmou que o horizonte para um possível IPO agora é 2027.
A declaração contrasta com posicionamento anterior de Alfredo Setubal, que em março havia indicado que a oferta pública inicial ocorreria entre maio e junho de 2026. O executivo da Itaúsa havia justificado a necessidade do IPO para proporcionar "estrutura de capital mais confortável" frente a novos investimentos e oportunidades, além de reduzir alavancagem.
Fonte: Investidor 10