Ibovespa recua com Ormuz fechado e mercado atento à Super Quarta

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (25) em queda e terminou a semana sob pressão de dois fatores que continuaram guiando os negócios: a tensão geopolítica no Oriente Médio e a expectativa pela chamada Super Quarta, quando Copom e Fed anunciam suas decisões de juros. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,33%, aos 190.745,02 pontos, depois de ter chegado a perder os 190 mil pontos ao longo do pregão.
No balanço da semana, o desempenho também foi negativo. O Ibovespa acumulou recuo de 2,55% nas quatro sessões, marcando a segunda semana consecutiva no vermelho. Enquanto isso, o dólar à vista devolveu parte da alta recente e fechou em leve queda de 0,10%, cotado a R$ 4,998, após ter voltado a superar os R$ 5 na véspera. Já os juros futuros encerraram o dia em baixa ao longo de toda a curva.
Entenda o caso
A sessão desta sexta-feira foi marcada por um cenário ainda sensível no exterior. Depois de dois dias de maior pessimismo em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã, o mercado encontrou um alívio pontual ao longo do pregão. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, viajou ao Paquistão, enquanto os EUA convocaram o enviado Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, para tentar viabilizar um encontro presencial com representantes iranianos. O vice-presidente JD Vance permaneceu de prontidão em Washington.
A leitura dos investidores foi de que havia ao menos uma tentativa de reaproximação diplomática, o que ajudou a moderar os preços do petróleo. O WTI recuou, enquanto o Brent subiu levemente. Ainda assim, o Estreito de Ormuz permaneceu fechado, mantendo o mercado em alerta. Ao mesmo tempo, Israel reforçou a posição de continuar os ataques ao Líbano com o objetivo de enfraquecer o Hezbollah, algo rejeitado pelo Irã e que mantém o conflito aberto em diferentes frentes.
Nos Estados Unidos, outro dado chamou atenção: a confiança do consumidor caiu em abril ao menor nível em quase quatro anos. O resultado aumentou a pressão interna sobre Trump para buscar uma saída mais rápida para a crise e reduziu o espaço para novas leituras positivas no mercado internacional.
Por que isso chama atenção
A queda do Ibovespa reflete um movimento que não dependeu apenas do ambiente doméstico. O mercado brasileiro sentiu o efeito da cautela global, especialmente por causa do petróleo e do impacto potencial de um conflito prolongado na região do Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio de energia. Quando a percepção de risco sobe, ativos ligados a commodities, juros e moeda tendem a reagir quase ao mesmo tempo, o que explica parte da volatilidade observada na sessão.
Além do pano de fundo internacional, o pregão também trouxe forte influência da temporada de balanços. A Usiminas (USIM5) foi um dos destaques positivos do dia ao mais que dobrar o lucro e divulgar um resultado acima das estimativas do mercado, o que impulsionou as ações em 5,55%. Analistas atribuíram a surpresa à melhora de custos e volumes na divisão de aço. A própria companhia, porém, indicou que deve enfrentar impacto de custo no segundo trimestre em praticamente todos os insumos por causa da guerra.
Outro papel que avançou foi a Braskem (BRKM5), com alta de 5,28%, em meio ao aumento da influência da Petrobras no controle da companhia. Na ponta oposta, a Brava Energia (BRAV3) voltou a liderar o volume negociado e caiu 5,75%, ainda pressionada pela proposta de compra de controle feita pela Ecopetrol e pelos rebaixamentos de recomendação feitos por analistas. A oferta de R$ 23 por ação não tira a empresa da bolsa de imediato, mas reduz a expectativa de ganhos no curto prazo.
O dia também foi de baixa para Petrobras (PETR4), que recuou 1,28%, e para a maior parte dos bancos. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,30%, Santander (SANB11) perdeu 0,60% e Bradesco (BBDC4) teve baixa de 0,25%. A XP manteve recomendação neutra para o Bradesco, destacando a trajetória de recuperação da instituição, com ciclos mais resilientes e melhora na rentabilidade. Entre os grandes nomes do setor financeiro, apenas o Itaú Unibanco (ITUB4) fechou no azul, com alta de 0,43%. A Vale (VALE3), por sua vez, terminou praticamente estável, com queda de 0,12%.
O que pode acontecer agora
A próxima semana deve manter o mercado em estado de atenção. O calendário será encurtado pelo feriado do Dia do Trabalho, mas ainda assim concentrará indicadores e decisões capazes de mexer com os preços dos ativos. Na terça-feira, o Brasil divulga o IPCA-15, prévia da inflação de abril, que pode ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária local.
Na quarta-feira, o foco estará dividido entre Brasília e Washington. O Copom e o Federal Reserve anunciam, simultaneamente, suas decisões de juros, justamente no dia que o mercado passou a chamar de Super Quarta. A leitura desses anúncios tende a influenciar a Bolsa, o câmbio e os juros futuros, especialmente depois de uma semana de maior aversão a risco e de forte sensibilidade aos fatores externos.
Fora do Brasil, Wall Street também segue no radar. No fechamento mais recente, o Dow Jones terminou no negativo, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançaram em direção às máximas históricas, com o foco dos investidores voltado para a temporada de balanços do primeiro trimestre americano. Na Europa, as bolsas encerraram majoritariamente em queda, reforçando o tom de cautela global que ainda atravessa os mercados.
Resumo rápido
O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, pressionado por tensões no Oriente Médio, pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela expectativa em torno da Super Quarta. No dia, o destaque positivo ficou com Usiminas e Braskem, enquanto Brava Energia, Petrobras e bancos tiveram desempenho fraco. A semana que vem traz IPCA-15, Copom e Fed, em um período que deve seguir exigindo atenção dos investidores.
Segundo reportagem do portal Investidor 10.
Ibovespa recua com Ormuz fechado e mercado atento à Super Quarta
Reviewed by Equipe Editorial
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abril 24, 2026
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