Copom decide Selic nesta quarta com mercado dividido após alta do petróleo

Expectativa do mercado é de que os juros caiam para 14,50% nesta quarta-feira (29).

O Copom (Comitê de Política Monetária) inicia nesta terça-feira (28) e conclui na quarta-feira (29) mais uma reunião para definir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira. No centro da expectativa está um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que levaria a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano e marcaria o menor nível em quase 12 meses.

A decisão, no entanto, acontece em um ambiente mais complicado do que o observado na reunião anterior. A guerra no Oriente Médio elevou a pressão sobre os preços do petróleo, enquanto os indicadores domésticos seguem transmitindo sinais mistos. Ainda assim, o mercado trabalha com a possibilidade de uma nova redução dos juros nesta semana.

Entenda o caso

O ponto principal desta reunião do Copom é saber se o Banco Central vai manter o ritmo de corte da Selic mesmo com o aumento das incertezas no cenário internacional. A expectativa predominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual, o que colocaria a taxa em 14,50% ao ano.

Esse movimento ganharia relevância porque ocorreria em meio à piora das projeções para a inflação. Desde a última decisão do comitê, o petróleo disparou por causa do conflito no Oriente Médio, enquanto os alimentos voltaram a pesar no orçamento das famílias brasileiras. Com isso, o mercado passou a ver a inflação deste ano acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica brasileira mostrou algum fôlego. A prévia do PIB avançou 0,6% em fevereiro, o que sugere retomada em parte da economia. Por outro lado, a criação de empregos formais ficou abaixo do esperado no mesmo mês, um sinal que pode indicar desaceleração do mercado de trabalho.

No câmbio, o dólar perdeu força com a valorização das commodities e a forte entrada de capital estrangeiro no país. Esse comportamento ajuda a aliviar parte da pressão inflacionária, embora não elimine as preocupações com o quadro geral de preços.

Por que isso chama atenção

A reunião desta semana chama atenção porque reúne, ao mesmo tempo, fatores que puxam a inflação para cima e sinais que permitem algum espaço para cortes adicionais nos juros. Esse contraste explica por que o mercado acompanha não só o resultado da decisão, mas também o tom do comunicado que será divulgado pelo Copom.

A XP avalia que a Selic deve cair para 14,50% nesta quarta-feira (29), argumentando que a evolução do cenário econômico é compatível com níveis nominais mais baixos de juros. A casa, porém, espera um comunicado mais duro do comitê, reforçando a necessidade de cautela para lidar com os efeitos de médio prazo dos choques inflacionários.

Mesmo assim, a XP não acredita que o Copom vá sinalizar uma interrupção do ciclo de calibração dos juros na próxima reunião. A projeção da instituição segue apontando para mais um corte em junho.

O Santander também vê espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual agora. Para o banco, seria difícil justificar tanto uma pausa quanto uma aceleração do corte de juros diante da volatilidade recente do petróleo. Ainda assim, a instituição acredita que o Copom evitará dar pistas sobre junho, preservando flexibilidade para diferentes desdobramentos, inclusive corte adicional, redução mais intensa ou pausa no ciclo.

Já o Itaú BBA espera uma mensagem de serenidade e cautela. Na visão do banco, os próximos passos da política monetária seguirão dependentes da evolução dos dados e da leitura contínua do balanço de riscos, incluindo o impacto da guerra no Oriente Médio.

Outro ponto que tem movimentado as projeções é a trajetória futura da Selic. As incertezas provocadas pelo conflito fazem os economistas revisarem com frequência suas estimativas para inflação e juros. Antes da guerra, o mercado esperava a Selic em 12% no fim do ano. Agora, a projeção subiu para 13%. No mesmo período, a expectativa de inflação passou de 3,91% para 4,86%.

O que pode acontecer agora

Se o Copom confirmar o corte esperado, o mercado vai passar a olhar com ainda mais atenção para a linguagem do comunicado e para qualquer sinal sobre a reunião de junho. É exatamente aí que pode estar a principal informação desta semana: não apenas o tamanho da queda da Selic, mas o grau de confiança do Banco Central para manter o ciclo de flexibilização monetária.

A leitura dos analistas é de que o comitê deve preservar prudência, especialmente diante da piora no ambiente externo e da sensibilidade dos preços ao petróleo. Ao mesmo tempo, os dados recentes de atividade e câmbio ainda permitem ao mercado trabalhar com a hipótese de mais uma redução dos juros no próximo encontro.

Na prática, a decisão desta quarta-feira pode ajudar a definir se o Banco Central manterá o ritmo atual de cortes, se adotará um passo diferente ou se deixará a porta aberta para uma pausa mais à frente. Por isso, a atenção não está restrita ao número final da Selic, mas também à forma como o Copom vai enquadrar os riscos e as condições do cenário econômico.

A divulgação será feita após o fechamento do mercado, o que tende a aumentar ainda mais o interesse em torno do comunicado e das sinalizações sobre a condução da política monetária nos próximos meses.

Resumo rápido

O Copom se reúne nesta terça e quarta-feira para decidir a Selic, e a expectativa do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,50% ao ano. A decisão ocorre em meio à alta do petróleo, à piora das projeções de inflação e a sinais mistos da economia brasileira. O foco, porém, vai além do número final: investidores e analistas querem entender o tom do comunicado e o que ele pode indicar para a reunião de junho.

Conforme informações publicadas por Investidor 10.
Copom decide Selic nesta quarta com mercado dividido após alta do petróleo Copom decide Selic nesta quarta com mercado dividido após alta do petróleo Reviewed by Equipe Editorial on abril 28, 2026 Rating: 5

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