Compass pede IPO e pode encerrar jejum de ofertas na B3 com captação de R$ 2,5 bi

A empresa de gás e energia da Cosan pretende movimentar ao menos R$ 2,5 bi com o IPO.

A Compass Gás e Energia deu um passo decisivo para estrear na Bolsa e, ao mesmo tempo, pode destravar uma sequência que já dura mais de cinco anos sem IPOs na B3. A empresa protocolou seu pedido de oferta nesta terça-feira (28) com a meta de movimentar ao menos R$ 2,5 bilhões.

A operação foi estruturada como uma oferta secundária. Na prática, isso significa que a companhia não vai emitir novas ações nem receber recursos diretamente da abertura de capital. Quem deve captar com a venda dos papéis são os acionistas atuais, incluindo a Cosan, controladora que hoje detém 20% da Compass.

O plano prevê a venda de pelo menos 89,3 milhões de ações, com faixa indicativa entre R$ 28 e R$ 35 por papel. A depender da demanda, a oferta ainda pode ser ampliada. O cronograma também já foi desenhado: a precificação deve ocorrer em 7 de maio, enquanto o início da negociação na B3 está previsto para 11 de maio.

Nas próximas semanas, a empresa vai medir o interesse do mercado em uma série de apresentações a investidores no Brasil e no exterior. Além disso, a Compass já aprovou a conversão de todas as suas ações preferenciais em ações ordinárias, movimento necessário para a listagem no Novo Mercado, segmento que reúne companhias com padrão mais elevado de governança na Bolsa brasileira.

Entenda o caso

A movimentação da Compass chama atenção porque pode marcar o primeiro IPO da B3 em mais de cinco anos. Se a operação avançar como planejado, o mercado brasileiro voltará a ter uma oferta inicial depois de um período prolongado de escassez desse tipo de transação.

Esse retorno não interessa apenas à própria Compass. Outras companhias que já demonstraram intenção de abrir capital, como BRK Ambiental e Aegea, acompanham de perto qualquer sinal de reabertura para novas ofertas. Em um mercado travado, uma estreia bem-sucedida costuma ter efeito de referência para o apetite dos investidores em operações semelhantes.

Para a Cosan, a oferta também tem peso estratégico. A venda de parte da participação na Compass pode reforçar o caixa da holding em um momento em que a empresa busca reduzir endividamento e reorganizar as contas de um de seus negócios mais sensíveis, a Raízen (RAIZ4).

Como se trata de uma oferta secundária, a Cosan tende a ser uma das principais beneficiadas financeiramente. A companhia pretende vender uma fatia de até 15% na Compass, já considerando eventual lote suplementar de ações. O dinheiro obtido com essa alienação deve ser usado para aliviar a dívida do grupo.

Ao mesmo tempo, a holding ainda pode ser pressionada a realizar novos aportes na Raízen, que procura uma saída para levantar capital e deixar a recuperação extrajudicial.

Por que isso chama atenção

O interesse do mercado na Compass não se resume ao fato de a empresa estar pedindo registro para abrir capital. Há também o perfil do negócio. A companhia afirma ser dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil e concentra operações relevantes em diferentes frentes do setor, incluindo a Comgás (CGAS5), responsável pela distribuição, e a Edge, ligada ao Terminal de Regaseificação de São Paulo.

A empresa também participa da Commit, holding com presença em distribuidoras de gás canalizado em vários estados. Com essa estrutura, a Compass sustenta que consegue apresentar resultados sólidos mesmo em ciclos políticos distintos, argumento que costuma ter relevância entre investidores de perfil mais conservador.

Os números mais recentes reforçam a tentativa de atrair esse público. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,46 bilhão em 2025, Ebitda de R$ 4,9 bilhões e alavancagem de 2,1x. No ano passado, ainda distribuiu R$ 2 bilhões aos acionistas, somando R$ 500 milhões em dividendos e uma redução de capital de R$ 1,5 bilhão com reembolso. O conjunto representa payout de 137%.

Apesar disso, o lucro líquido da Compass já foi maior. Em 2024, por exemplo, superou R$ 2,1 bilhões. Esse contraste ajuda a explicar por que o mercado vai observar com atenção a recepção da oferta e o intervalo de preço definido para os papéis.

As agências de classificação de risco também entram no radar. A Fitch avalia que a empresa tem bons resultados operacionais, forte fluxo de recebimento de dividendos, calendário alongado de vencimento da dívida e alavancagem moderada. Ao mesmo tempo, vê o risco de pressão adicional caso a Compass siga sendo cobrada a distribuir dividendos elevados para a Cosan, o que poderia comprometer o caixa.

A Moody's, por sua vez, espera uma política prudente de distribuição de recursos aos acionistas, justamente para preservar a qualidade de crédito e a liquidez da companhia, mesmo com os vínculos com a controladora.

O que pode acontecer agora

O mercado entra agora na etapa mais sensível da oferta: a reação dos investidores aos roadshows e, depois, à precificação. É nesse intervalo que a Compass vai testar se há espaço para a faixa indicada e se a captação mínima de R$ 2,5 bilhões será preservada ou ampliada.

Se a demanda vier forte, a empresa poderá sair ao mercado com a oferta maior. Se o apetite decepcionar, a estrutura pode ser revista antes da listagem. Em ambos os casos, o desfecho ajudará a medir se a janela para IPOs realmente está se abrindo na B3 após um longo período de pausa.

Para a Cosan, a expectativa é que o dinheiro levantado na operação sirva para reduzir o endividamento. Ainda assim, o processo não elimina as dúvidas sobre os próximos movimentos do grupo, principalmente por conta da situação da Raízen e da necessidade de reforço de capital em parte da estrutura.

Já para a Compass, a estreia no Novo Mercado seria um marco relevante de governança e visibilidade. Sem receber recursos da operação, a companhia passa a depender, sobretudo, da confiança do mercado em sua capacidade de continuar entregando resultados e de sustentar uma política financeira compatível com as exigências de uma empresa listada.

Resumo rápido

A Compass protocolou seu IPO com meta de movimentar ao menos R$ 2,5 bilhões e pode se tornar a primeira empresa a estrear na B3 em mais de cinco anos. A oferta será secundária, com venda de ações de atuais acionistas, incluindo a Cosan, que deve usar os recursos para reduzir dívida. A precificação está prevista para 7 de maio, e o início das negociações, para 11 de maio. O mercado agora acompanha a demanda pelos papéis e o possível efeito dessa operação sobre a retomada dos IPOs no Brasil.

Conforme informações publicadas por Investidor 10.
Compass pede IPO e pode encerrar jejum de ofertas na B3 com captação de R$ 2,5 bi Compass pede IPO e pode encerrar jejum de ofertas na B3 com captação de R$ 2,5 bi Reviewed by Equipe Editorial on abril 28, 2026 Rating: 5

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