Câmara acelera debate sobre minerais críticos após compra de mineradora brasileira

Deputados discutem a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A Câmara dos Deputados deve iniciar nesta quarta-feira (22) a análise do projeto de lei que cria um marco legal para a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil.

A pauta foi levada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pouco depois de a americana USA Rare Earth (USAR) anunciar a aquisição da maior mineradora de terras raras do país, a Serra Verde.

Motta trata a proposta como estratégica para o crescimento econômico e a soberania nacional. Segundo ele, a medida pode colocar o Brasil não apenas como exportador de minerais críticos, mas também como produtor de tecnologia.

“Isso vai fazer com que tenhamos condição de exportar matérias-primas com valor agregado, para que isso incentive a educação com formação de mão de obra e, consequentemente, gere riqueza”, afirmou o deputado em entrevista à Globonews na última sexta-feira (17).

O que prevê o projeto de lei



O projeto de lei 2780/2024 propõe a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com o objetivo de estimular a pesquisa, a extração e a transformação desses insumos no Brasil.

Entre os princípios citados no texto estão a preservação do interesse nacional, o desenvolvimento sustentável, a atração de investimentos e o aumento da competitividade brasileira no mercado global.

A proposta também defende a valorização e o aproveitamento racional dos minerais críticos e estratégicos, com a maximização dos benefícios sociais, ambientais e econômicos.

Para isso, o texto prevê a criação de um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos, que deverá apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva, inclusive com medidas para facilitar o licenciamento ambiental e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico.

Autor do projeto, o deputado Zé Silva (União-MG) afirma que as medidas passam por incentivos ao investimento e ao setor como um todo, com foco na desoneração das cadeias produtivas.

Já o relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), avalia que a missão é produzir tecnologia, gerar empregos qualificados, reduzir dependências externas, fortalecer territórios mineradores, ampliar a competitividade e a industrialização, e transformar o Brasil em um hub da transição energética.

Arnaldo Jardim também já informou que não incluirá em seu parecer a criação de uma estatal de terras raras e minerais críticos, chamada Terrabras. A proposta havia sido apresentada pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), em outros projetos de lei.

O parecer deve ser apresentado ainda nesta quarta-feira (22), para que o texto possa avançar para votação em plenário, podendo incorporar sugestões do governo Lula (PT).

Governo amplia articulação internacional



Enquanto isso, o governo federal trabalha em uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e em uma Estratégia Nacional de Terras Raras.

O Executivo também busca parcerias com outros países para desenvolver tecnologia nesses setores e já firmou acordos com Índia, Coreia do Sul, Espanha e Alemanha.

“Nós estamos dispostos a fazer acordo com todos os países que quiserem construir parceria com o Brasil, mas o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao assinar o acordo com a Espanha, na última sexta-feira (17).

Em visita à Alemanha, na segunda-feira (20), Lula afirmou que a colaboração em setores intensivos em tecnologia é prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities.

O presidente também já criticou o acordo firmado pelo ex-governador de Goiás e candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) com os Estados Unidos para avançar com a exploração de terras raras em Goiás.

É em Goiás que opera a maior mineradora de terras raras do Brasil, a Serra Verde, comprada pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões na última segunda-feira (20). Veja aqui os detalhes da transação.

Disputa global por minerais críticos



Minerais críticos e terras raras são considerados essenciais para a transição energética e digital, com aplicação na fabricação de painéis solares, motores elétricos, ímãs e semicondutores.

Por isso, países de todo o mundo buscam formas de desenvolver essa indústria, ainda fortemente concentrada na China. Os Estados Unidos lideram essa corrida e já demonstraram interesse nas reservas brasileiras.

Nesse contexto, o Brasil ganha relevância por ter uma das maiores reservas minerais do mundo. Além disso, a Serra Verde é apontada como a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas e de terras raras leves fora da Ásia.

Na avaliação do BTG Pactual, a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth reforça a posição estratégica do Brasil nesse setor e pode abrir caminho para uma onda mais ampla de transações.

O banco observou que outras companhias também avançam na exploração de minerais críticos no Brasil, embora muitas ainda não contem com o respaldo de grandes mineradoras. Por isso, podem se tornar alvos de aquisições à medida que evoluem da fase de desenvolvimento para a produção.

Fonte: Investidor 10
Câmara acelera debate sobre minerais críticos após compra de mineradora brasileira Câmara acelera debate sobre minerais críticos após compra de mineradora brasileira Reviewed by Equipe Editorial on abril 22, 2026 Rating: 5

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