Braskem (BRKM5) fecha acordo de controle, mas Petrobras (PETR4) ainda não decide

A Braskem (BRKM5) anunciou nesta segunda-feira (20) um negócio que pode resultar na mudança de controle da companhia, desde que a operação receba o aval da Petrobras (PETR4).
Depois de meses de negociação, a Novonor, ex-Odebrecht, fechou a venda do controle da petroquímica para o fundo de investimento em participações Shine I FIP, assessorado pela IG4 Capital.
A gestora, especializada em reestruturação, já havia adquirido cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da companhia e agora busca assumir o comando da Braskem com a missão de conduzir sua reorganização.
Em carta enviada à empresa, o fundo afirmou que já reuniu profissionais experientes em administração e em processos de reestruturação para tocar a gestão da companhia.
A proposta à Petrobras
O Shine I FIP também informou que pretende administrar os negócios da petroquímica em parceria com a Petrobras, segunda maior acionista da Braskem, que já demonstrou interesse em ampliar sua influência sobre a empresa.
Segundo o fundo, a intenção é conduzir, junto com a estatal, a reestruturação financeira e operacional da companhia, para que a Braskem volte a gerar valor para acionistas e para o Brasil.
Para isso, deverá ser assinado um acordo de acionistas entre o Shine I FIP e a Petrobras, regulando o exercício do controle compartilhado da Braskem.
Pelo entendimento proposto, os assentos no conselho de administração e na diretoria seriam divididos igualmente entre as partes, que também teriam de construir consenso sobre matérias levadas à votação no conselho e na assembleia geral.
A posição da estatal
A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de algumas condições, entre elas o não exercício, pela Petrobras, do direito de preferência na aquisição das ações da Braskem.
Em comunicado, a estatal afirmou nesta segunda-feira (20) que ainda avalia os termos da operação e do novo acordo de acionistas antes de tomar uma decisão.
Os temas, segundo a companhia, estão sendo analisados simultaneamente pelas instâncias competentes, e eventuais desdobramentos relevantes serão comunicados ao mercado.
A sinalização manteve em aberto o futuro do controle acionário da Braskem.
Como fica a operação
Com o acordo, o Shine I FIP deve receber 226,3 milhões de ações ordinárias e 47,2 milhões de ações preferenciais classe A que estavam com a Novonor.
Com isso, o fundo passará a deter 50,11% do capital social votante e cerca de 34,32% do capital social total da Braskem, enquanto a antiga Odebrecht ficará com uma fatia de apenas 4% da petroquímica.
A transação não envolve pagamento em dinheiro. Em vez disso, haverá troca de dívida por participação, com entrega de três debêntures para cada ação adquirida da Braskem, o que pode contribuir para a redução do endividamento da companhia.
O que ainda falta para concluir o negócio
Além do direito de preferência da Petrobras, a operação ainda depende de autorizações judiciais e da aprovação dos órgãos antitruste competentes.
Se avançar, o Shine I FIP também terá de realizar uma OPA para as ações da Braskem em circulação no mercado, garantindo aos minoritários a possibilidade de vender seus papéis nas mesmas condições oferecidas à Novonor.
Mesmo assim, o fundo informou que não pretende cancelar o registro de companhia aberta da Braskem, evitando, assim, uma eventual saída da empresa da Bolsa.
Fonte: Investidor 10
Braskem (BRKM5) fecha acordo de controle, mas Petrobras (PETR4) ainda não decide
Reviewed by Equipe Editorial
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abril 20, 2026
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