Banco do Brasil quer levar o Pix aos EUA após novas críticas de Trump

O Banco do Brasil (BBAS3) abriu uma nova frente para o Pix fora do país: a intenção agora é levar o sistema de pagamentos instantâneos para os Estados Unidos. O plano foi apresentado nesta quinta-feira (23) pelo CFO do banco, Geovanne Tobias, durante o BB Day 2026, encontro anual da instituição com investidores.
A iniciativa chama atenção porque veio à tona pouco depois de o governo de Donald Trump voltar a criticar o Pix em documentos oficiais. Ainda assim, o executivo afirmou que a expansão internacional faz parte da estratégia do banco e citou a experiência recente na Argentina como ponto de apoio para a próxima etapa.
Entenda o caso
Durante a apresentação sobre os negócios internacionais do Banco do Brasil, Tobias explicou que a instituição já colocou o Pix em operação na Argentina e agora quer repetir o movimento em território americano. Ao falar sobre o avanço do projeto, ele mencionou o BB Americas, subsidiária com sede em Miami, e destacou que a unidade já soma mais de US$ 3 bilhões em ativos.
A fala ocorreu em meio a um cenário de maior exposição do Pix no debate comercial entre Brasil e Estados Unidos. O sistema brasileiro foi citado em relatório do USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que trata de barreiras comerciais enfrentadas por empresas americanas no exterior.
No documento, publicado em março, o governo americano afirma que “partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA”. Antes disso, em julho do ano passado, o USTR já havia aberto inquérito para apurar se o Pix representaria uma “prática desleal”, com impacto sobre a competitividade de empresas americanas de comércio digital e pagamento eletrônico.
Lançado em 2020, o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais usado no Brasil. A promessa era simples: facilitar as transações, reduzir custos e acelerar pagamentos. Na prática, o sistema ganhou espaço rapidamente e passou a disputar mercado com carteiras e meios tradicionais. O texto original destaca que isso afetou empresas de cartão de crédito e débito, como Visa (VISA34) e Mastercard (MSCD34), além de ser apontado como uma das razões pelas quais o WhatsApp Pay, da Meta (M1TA34), não teve a adesão esperada no país.
Por que isso chama atenção
O interesse do Banco do Brasil em expandir o Pix para os Estados Unidos ganha peso porque acontece justamente no momento em que o sistema está sob escrutínio do governo americano. A combinação entre avanço comercial e tensão regulatória ajuda a explicar por que a fala do CFO repercute além do mercado financeiro.
Outro ponto relevante é que o banco trata o Pix não apenas como uma solução de pagamento interna, mas como uma ferramenta que pode ser adaptada para operações internacionais. Na visão apresentada por Tobias, o serviço não concorre com os demais meios de pagamento; ele pode funcionar de maneira complementar. Essa leitura é importante porque o Banco do Brasil também tem participação em negócios ligados a cartões, como a Cielo.
O tema também se conecta à disputa mais ampla sobre influência tecnológica e presença de empresas estrangeiras no setor de pagamentos. Ao expandir o Pix para fora, o BB sinaliza que enxerga potencial no produto mesmo após as críticas dos EUA. Isso reforça a ideia de que o sistema deixou de ser apenas uma solução doméstica e passou a integrar a estratégia internacional da instituição.
A movimentação ocorre, ainda, em paralelo à resposta política do governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já afirmou que “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”. A declaração ajuda a dimensionar a importância do tema no debate público, sem alterar o fato de que o Banco do Brasil segue avaliando sua expansão.
O que pode acontecer agora
Com a estratégia colocada na mesa, o passo seguinte deve ser a continuidade da avaliação sobre a viabilidade de levar o Pix aos Estados Unidos. O texto indica que a experiência na Argentina funciona como uma espécie de laboratório para a expansão internacional, especialmente porque a solução foi desenhada para evoluir e ser usada por clientes de diferentes bancos e em diferentes localidades.
Na operação argentina, o pagamento é feito em estabelecimentos credenciados com QR Code. O cliente acessa o aplicativo de sua instituição financeira brasileira, lê o código, confere os dados e conclui a transação sem necessidade de cadastro ou liberação prévia. O BB faz a conversão para a moeda local e informa a taxa antes de a operação ser finalizada. O pagamento é realizado em reais, com débito direto da conta corrente ou poupança, e há cobrança de IOF, com a transação aparecendo no extrato do Pix.
Esse desenho sugere que o banco vê a internacionalização do serviço como algo escalável, especialmente em mercados com forte presença de brasileiros. Ainda segundo o texto, essa lógica pode abrir caminho para outros países no futuro.
Enquanto isso, o Banco do Brasil também trabalha em outras frentes estratégicas. A instituição pretende ampliar a atuação voltada a pessoa física em Portugal e fortalecer áreas como banco de investimentos, seguros e consórcios. O objetivo é sustentar a geração de resultados durante a recuperação do agronegócio, que enfrenta crise desde 2025.
Na leitura do CFO, o BB deve ser observado como um conglomerado financeiro, e não apenas pela exposição ao agro. A mensagem dada aos investidores foi clara: atravessar o período de ajustes, entregar valor aos acionistas e recuperar a rentabilidade.
Resumo rápido
O Banco do Brasil quer ampliar o uso internacional do Pix e colocou os Estados Unidos no radar. A ideia foi apresentada no BB Day 2026, em meio às críticas recentes do governo Trump ao sistema brasileiro. A Argentina já serve de teste para a operação, enquanto o banco também avança em outras frentes fora do agro. Segundo reportagem do portal Investidor 10.
Banco do Brasil quer levar o Pix aos EUA após novas críticas de Trump
Reviewed by Equipe Editorial
on
abril 23, 2026
Rating:
Post a Comment