Banco do Brasil (BBAS3) faz BB Day em meio a pressão no crédito rural e foco do mercado

O Banco do Brasil (BBAS3) realiza seu BB Day nesta quinta-feira (23) em um momento considerado desafiador, especialmente por conta da carteira de crédito rural, de acordo com análise do Goldman Sachs.
Os dados mais recentes mostram que a inadimplência rural no sistema financeiro segue em alta, com avanço de 90 pontos-base entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Como o Banco do Brasil tem participação relevante nesse segmento, a instituição fica mais exposta a essa deterioração.
Em relação ao guidance de lucro para 2026, que varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, o Goldman Sachs projeta R$ 24 bilhões. Essa estimativa implicaria ROE de 12,3%, em linha com o consenso de mercado.
Segundo o banco, o principal risco é a manutenção de provisões mais altas por mais tempo, em meio a custos maiores para o produtor rural, cenário agravado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A estimativa é de que cada aumento de 5% nas provisões reduza o lucro em cerca de 8% e pressione o ROE em aproximadamente 90 pontos-base, mantendo as demais variáveis constantes.
Apesar desse quadro, os analistas avaliam que parte das incertezas já está refletida no preço das ações, negociadas a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial histórico (P/BV). Na visão do Goldman, qualquer sinal concreto de recuperação cíclica tende a ser bem recebido pelo mercado.
O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 24.
Carteira rural segue pressionada
A carteira rural do Banco do Brasil atravessa um ciclo negativo marcado por alta de custos, com destaque para fertilizantes, eventos climáticos adversos como enchentes, ambiente de juros elevados e aumento no número de pedidos de recuperação judicial.
Na avaliação do Goldman, uma melhora mais consistente só deve começar a aparecer a partir do segundo semestre de 2026, quando novas safras podem entrar na carteira e o programa de renegociação deve ganhar força.
Os preços das commodities agrícolas também recuaram diante das máximas recentes, o que pressiona as margens do produtor e sua capacidade de pagamento.
No crédito ao consumidor, o banco vem ajustando o mix da carteira em direção ao varejo, com maior participação de linhas ligadas ao consignado privado. Ainda assim, o aumento do endividamento das famílias e as condições fragilizadas do crédito de varejo seguem como fatores de incerteza.
Capital melhora, mas regulação continua no radar
No campo do capital, o índice CET1 do Banco do Brasil avançou 100 pontos-base no quarto trimestre de 2025, para 12,2%, favorecido pela MP 1.314, que reduziu algumas deduções prudenciais.
Por outro lado, mudanças nas regras de ativos ponderados por risco operacional e a continuidade da implementação da Resolução 4.966 seguem como potenciais ventos contrários. Segundo o relatório, quedas do CET1 para abaixo de 11% poderiam acender um sinal adicional de alerta entre investidores.
O payout de dividendos foi reafirmado em 30% para 2026. A gestão já havia indicado trajetória de retorno voltando para a casa dos mid-teens ao longo dos próximos anos.
O Goldman projeta ROE de 12,3% em 2026, 14,4% em 2027 e 14,6% em 2028.
Fonte: Investidor 10
Banco do Brasil (BBAS3) faz BB Day em meio a pressão no crédito rural e foco do mercado
Reviewed by Equipe Editorial
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abril 22, 2026
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