
A Bolsa brasileira está prestes a registrar o melhor primeiro trimestre em quatro anos em termos de fluxo de capital estrangeiro. Até 24 de março de 2026, o acumulado já alcança R$ 48,7 bilhões em entradas de recursos internacionais, colocando o período no caminho para superar todos os desempenhos desde o primeiro trimestre de 2022, quando o total atingiu R$ 65,3 bilhões.
O mês de março já apresenta saldo positivo de R$ 7,05 bilhões, um crescimento expressivo em comparação com os R$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O cenário atual contrasta com o de 2022, quando o movimento foi impulsionado pela alta das commodities durante o conflito entre Ucrânia e Rússia e pelo diferencial de juros favorável ao Brasil.
Fuga do mercado americano e valuation atrativo
Especialistas apontam que o fluxo estrangeiro para o Brasil tem origem na saída de recursos do mercado americano, pressionado pelo encarecimento das ações, resultados corporativos abaixo das expectativas na margem e pela política econômica imprevisível do governo Trump.
Paralelamente, a bolsa brasileira é vista como uma das mais descontadas entre os mercados globais. Segundo cálculos do Itaú BBA, a B3 negocia com desconto de 5% em relação à sua média histórica, tornando-se um atrativo para investidores internacionais em busca de oportunidades de valor.
Ciclo de juros e cenário eleitoral reforçam atratividade
Dois fatores adicionais sustentam o apetite externo pela B3. O primeiro é o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março, quando o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano. O segundo é o cenário eleitoral de 2026, que tradicionalmente gera movimentação nos mercados financeiros.
De acordo com o último boletim Focus, a taxa básica de juros deve encerrar o ano em 12,50%, mantendo um diferencial atrativo frente às taxas americanas, que se situam entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Analistas do setor avaliam que um eventual cessar-fogo no Oriente Médio poderia reforçar ainda mais os fluxos para mercados emergentes como o Brasil, reduzindo o risco global e direcionando mais capital para economias em desenvolvimento.
Fonte: Investidor 10