Conflito EUA-Irã pode durar até quatro semanas segundo Trump, mas diálogo nuclear permanece em pauta

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que Teerã sinalizou disposição para retomar negociações sobre o programa nuclear.

O presidente norte-americano Donald Trump estabeleceu um prazo estimado de quatro semanas para a atual campanha militar contra o Irã, conforme declarações ao Daily Mail. Em entrevista exclusiva ao veículo britânico, o mandatário revelou que a Casa Branca projetou desde o início que as operações militares iniciadas no último sábado (28) seguiriam esse cronograma.

"Sempre consideramos um processo de quatro semanas. Nossos cálculos indicavam essa duração aproximada. O Irã é um país extenso, portanto estimamos quatro semanas — talvez menos", afirmou Trump ao jornal.

Abertura para negociações nucleares



Paradoxalmente ao cenário bélico, o presidente norte-americano manteve a porta aberta para diálogos com a nova liderança iraniana. Em conversa com a revista The Atlantic, Trump confirmou que Teerã demonstrou interesse em retomar as discussões sobre seu programa nuclear, suspensas há meses.

"Eles manifestaram vontade de conversar, e eu concordei em dialogar. Deveriam ter tomado essa iniciativa anteriormente", declarou o presidente. Questionado sobre o momento exato do contato, Trump evitou especificidades, limitando-se a afirmar que não poderia adiantar detalhes.

Mudanças na cúpula iraniana



O mandatário norte-americano revelou ainda que parte dos negociadores iranianos envolvidos em tratativas recentes foram vitimados nos ataques coordenados por Estados Unidos e Israel. "Muitos desses interlocutores não estão mais presentes. Algumas das pessoas com quem mantínhamos contato desapareceram, porque foi um golpe significativo", explicou Trump.

O presidente também mencionou possíveis transformações internas no Irã, citando relatos de manifestações públicas em território iraniano e celebrações entre comunidades da diáspora. Apesar desses indícios, classificou a situação geral como "extremamente perigosa", enfatizando que os confrontos permanecem ativos.

Papel diplomático de Omã



O chanceler omanense Badr Albusaidi confirmou que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, expressou abertura para "esforços sérios" de desescalada das tensões. Omã tradicionalmente atua como mediador nas negociações nucleares entre Washington e Teerã, mantendo canais diplomáticos abertos com ambas as partes.

Albusaidi defendeu publicamente um cessar-fogo imediato e a retomada do diálogo sob condições que atendam às preocupações fundamentais de todos os envolvidos.

Balanço dos confrontos



Os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel resultaram em 201 mortes e 747 feridos, segundo dados da Crescente Vermelho Iraniano divulgados pela imprensa local. Explosões foram registradas em Teerã e diversas outras cidades iranianas.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra território israelense e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. O Exército dos EUA informou que não houve baixas entre suas tropas e classificou os danos materiais como "mínimos".

O Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte global de petróleo, foi temporariamente fechado por questões de segurança, conforme anunciou a agência de notícias iraniana Tasnim.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que comandantes da Guarda Revolucionária e autoridades vinculadas ao programa nuclear iraniano foram eliminados, alertando que "milhares de alvos" permanecem na mira. Em pronunciamento oficial, Netanyahu encorajou a população iraniana a se manifestar contra o regime atual.

O conflito, agora oficialmente reconhecido por Washington como operação de grande escala, continua sem data definida para conclusão, embora a estimativa presidencial aponte para quatro semanas de fase principal das operações militares.

Fonte: Investidor 10
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